Você já imaginou acordar com 21 tiros anunciando o nascimento da sua própria cidade?”
Pois é… foi assim que Iracemápolis começou sua história como município. Não foi silêncio, não foi discreto, não foi escondido. Foi explosão, música, fé, gente na rua tudo ao mesmo tempo.
Era 1º de janeiro de 1955. A vila ainda carregava aquele cheiro de terra molhada misturado com expectativa. As casas eram simples, a praça era o ponto de encontro e quase todo mundo se conhecia pelo nome. Mas naquele dia, algo mudava para sempre.
O povo acordou cedo. Alguns por alegria, outros por curiosidade, outros porque… como dormir com 21 tiros abrindo a manhã?

Logo depois, veio a música.
A Corporação Musical João Guilherme tomou conta da rua com uma energia que dizia sem palavras: “É hoje. É agora. Iracemápolis está nascendo.”
Gente desceu das fazendas, moradores se juntaram na praça, outros se penduraram nas janelas para acompanhar o que parecia mais festa que cerimônia.
Mas era cerimônia. E das grandes.
O responsável por conduzir tudo era o juiz José Duílio S. Nogueira de Sá, enviado diretamente para instalar oficialmente o novo município. Chegou com livros enormes de atas, documentos impecáveis e uma postura séria que impressionava quem estava acostumado ao cotidiano simples da vila.
E tinha um detalhe que deixou o momento ainda maior:
A Rádio Educadora de Limeira transmitia tudo ao vivo.
Sim, ao vivo.
Iracemápolis pequena, recém-nascida, com pouco mais de 5 mil moradores, era notícia regional naquele instante.
A praça ferveu. O povo comentava, as senhoras cochichavam, as crianças tentavam entender por que tanta agitação. E quando a missa campal começou, o clima ficou ainda mais bonito. Era fé pura, alinhada com o desejo coletivo de prosperidade.
Depois da benção, veio a parte mais esperada: a posse das autoridades.
E foi ali que o nome de José Chinellato ecoou pela primeira vez como prefeito da cidade.
Homem respeitado, de fala firme, assumia a missão de conduzir a nova Iracemápolis.
Ao lado dele, Luiz Ometto, outro nome querido da comunidade, assumia como vice-prefeito.
O povo vibrava.
Era como se, naquele instante, cada pessoa estivesse assinando junto o nascimento da cidade.
E claro… nem tudo era festa. Por trás da emoção, havia desafios enormes:
As ruas eram poucas e sem calçamento.
A água vinha de chafarizes públicos.
O comércio ainda engatinhava.
Havia 80 caminhões, mas mais de 300 veículos de tração animal circulando pela cidade.
A iluminação ainda não chegava a todos os pontos.
As escolas eram pequenas, os recursos eram limitados.
Mas sabe o que sustentava tudo?
A crença de que agora era possível melhorar, porque a cidade tinha dono: o próprio povo.
Naquele 1º de janeiro de 1955, Iracemápolis não ganhou só um nome e uma ata.
Ganhou identidade.
Ganhou voz.
Ganhou o direito de escrever sua própria história, sem depender de decisões de fora.
E cada criança correndo na praça, cada senhor segurando seu chapéu contra o sol, cada mulher com o terço na mão… todos foram, sem saber, fundadores dessa nova fase.
Se você pudesse voltar naquele dia…
O que diria para aquele povo que assistia a cidade nascer diante dos próprios olhos?
Se você quer conhecer mais histórias de Iracemápolis, veja esse artifo também: “A fé que acendeu Iracemápolis: procissões, promessas e as festas que paravam a cidade”.
Baseado no livro “Iracemápolis: Fatos e Retratos”, de José Zanardo (2008).