{"id":765,"date":"2026-06-11T13:10:07","date_gmt":"2026-06-11T16:10:07","guid":{"rendered":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/?p=765"},"modified":"2026-06-11T13:29:29","modified_gmt":"2026-06-11T16:29:29","slug":"odecio-lucke-o-professor-que-plantou-ipes-escreveu-o-hino-e-sonhou-um-bosque-para-cordeiropolis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/2026\/06\/11\/odecio-lucke-o-professor-que-plantou-ipes-escreveu-o-hino-e-sonhou-um-bosque-para-cordeiropolis\/","title":{"rendered":"Od\u00e9cio Lucke \u2014 O professor que plantou ip\u00eas, escreveu o hino e sonhou um bosque para Cordeir\u00f3polis"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A hist\u00f3ria de Od\u00e9cio Lucke, professor, poeta e guardi\u00e3o da natureza de Cordeir\u00f3polis<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 homens que passam pela vida deixando rastros. Od\u00e9cio Lucke deixou ra\u00edzes, literalmente. Nascido em Cordeir\u00f3polis no dia 27 de maio de 1931, ele cresceu num tempo em que ensinar era quase um chamado divino, e aprender, uma fome que nunca se apagava. Cumpriu as duas miss\u00f5es com uma dedica\u00e7\u00e3o que poucos conseguem.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas quem foi, de verdade, o Professor Od\u00e9cio Lucke?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O menino que j\u00e1 sabia o que queria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Aos 12 anos, em 30 de novembro de 1943, ele conclu\u00eda o curso prim\u00e1rio na Escola Cel. Jos\u00e9 Levy, aqui mesmo em Cordeir\u00f3polis. Era apenas o come\u00e7o. Em dezembro de 1949, formou-se em Mec\u00e2nica de M\u00e1quinas no Gin\u00e1sio Industrial Estadual &#8220;Bento Quirino&#8221;, em Campinas o boletim de notas daquela \u00e9poca, amarelado pelo tempo mas ainda leg\u00edvel, com a assinatura de seu pai Em\u00edlio Lucke m\u00eas a m\u00eas, \u00e9 uma rel\u00edquia que sobreviveu a d\u00e9cadas e conta, em sil\u00eancio, de um jovem disciplinado e comprometido.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 29 de setembro de 1952, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade lhe entregou o Certificado de Registro de Professor n\u00ba 5284. Na pequena foto preto e branco do documento, um rapaz de terno, cabelos penteados, olhar firme. Ele tinha 21 anos e j\u00e1 era professor. Estaria apto a lecionar Desenho T\u00e9cnico, Constru\u00e7\u00e3o e Montagem de M\u00e1quinas  e assim o faria por quase quatro d\u00e9cadas, na Escola T\u00e9cnica Industrial Camargo, em Limeira.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma vida inteira dentro de sala de aula<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ele n\u00e3o parou de aprender nunca. Em 1971, concluiu o curso universit\u00e1rio na Universidade Moreira Moraes, em Cravinhos. Em 1973, certificou-se pelo SENAC em Rela\u00e7\u00f5es Humanas no Trabalho. Em junho de 1974, recebeu o diploma de Pedagogia pela UNAERP, de Ribeir\u00e3o Preto. Em 1986, frequ\u00eancia de 100% e aproveitamento m\u00e1ximo no curso de aprimoramento docente para professores de Mec\u00e2nica.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 7 de julho de 1989, o Centro de Professorado Paulista lhe conferiu o Diploma de Honra ao M\u00e9rito, pelo que a vida inteira dedicou \u00e0 educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Milhares de alunos. Quase quarenta anos de sala de aula. Mas havia algo al\u00e9m das f\u00f3rmulas e dos desenhos t\u00e9cnicos que movia aquele homem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O professor que plantava ip\u00eas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Od\u00e9cio Lucke era apaixonado pela natureza com a mesma intensidade com que amava o ensino. Pelas ruas de Cordeir\u00f3polis, sua marca est\u00e1 em cada ip\u00ea florido  foram plantados por suas m\u00e3os e pelas de quem ele convenceu a plantar junto. Amarelos, roxos, rosas: onde havia um ip\u00ea, havia uma hist\u00f3ria dele.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Avenida Presidente Vargas, havia um corredor inteiro dessas \u00e1rvores. Os galhos se entrela\u00e7avam sobre o asfalto como um abra\u00e7o vegetal, formando um t\u00fanel de flores que encantava quem passava. Era uma das obras de que mais se orgulhava.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/ipes-avenida-cordeiropolis-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-767\" srcset=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/ipes-avenida-cordeiropolis-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/ipes-avenida-cordeiropolis-300x200.jpg 300w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/ipes-avenida-cordeiropolis-768x512.jpg 768w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/ipes-avenida-cordeiropolis.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, nos anos 90, aquelas \u00e1rvores foram cortadas.<\/p>\n\n\n\n<p>A vi\u00fava Maria de Lourdes Zanon Lucke, com quem se casou em 9 de julho de 1955 e com quem teve tr\u00eas filhos:  Vagner, Valnei e Valdmir , conta que o marido ficou transtornado. Parentes confirmam: ele n\u00e3o conseguia se conformar. O desgosto foi t\u00e3o fundo que a fam\u00edlia acredita, at\u00e9 hoje, que o corte das \u00e1rvores foi um dos fatores que precipitou seu infarto. Como se parte dele tivesse sido cortada junto.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_8588-768x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-768\" srcset=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_8588-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_8588-225x300.jpeg 225w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_8588-1152x1536.jpeg 1152w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_8588-1536x2048.jpeg 1536w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_8588-scaled.jpeg 1920w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>O sonho que ficou no papel<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Havia outro projeto que carregava no peito: transformar a famosa Mata do Jardim Cordeiro num bosque municipal, &nbsp;um lugar protegido, preservado, vivo. Em 1992, o vereador Haroldo de Jesus Menezes apresentou uma indica\u00e7\u00e3o nesse sentido, e a C\u00e2mara aprovou a Lei n\u00ba 1.726, de 6 de maio de 1992, que constitu\u00eda o Bosque Municipal e, em seu Artigo 6\u00ba, determinava:<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;Fica o Bosque Municipal, objeto desta Lei, denominado de &#8216;Bosque Municipal Professor Od\u00e9cio Lucke&#8217;, saudoso educador, que foi pioneiro e atuante batalhador na defesa, preserva\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o do meio ambiente em nosso Munic\u00edpio.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Era uma homenagem linda. Mas ficou no papel. O bosque nunca saiu do ch\u00e3o. A mata do Jardim Cordeiro n\u00e3o virou o santu\u00e1rio verde que ele sonhava. E Od\u00e9cio Lucke n\u00e3o viveu para ver nem o sonho realizado, nem a injusti\u00e7a corrigida.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A letra que virou hino<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 outra hist\u00f3ria guardada naqueles documentos amarelados. Em algum momento de 1976 \u2014 os rascunhos a punho t\u00eam a data de 20 de agosto de 1976 , Od\u00e9cio Lucke escreveu a letra de um hino. O Hino de Cordeir\u00f3polis.<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00fasica ficou com a professora Dyrcea Ricci Ciarocchi. A letra, com ele. E assim permaneceu por d\u00e9cadas: guardada, esquecida nas gavetas, como tantas outras poesias que escreveu ao longo da vida, perdidas &#8220;por uma distra\u00e7\u00e3o do destino&#8221;, como registrou sua esposa.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi somente em 20 de setembro de 2002 que a Lei Municipal n\u00ba 2.113, proposta pelo vereador Jair Aparecido Dalfr\u00e9, instituiu oficialmente o Hino do Munic\u00edpio \u2014 com m\u00fasica de Dyrcea e letra de Od\u00e9cio. O professor j\u00e1 havia partido h\u00e1 doze anos. Em 19 de mar\u00e7o de 1990, como escreveu sua vi\u00fava com delicadeza e dor: <em>&#8220;foi o dia em que Deus privou-nos da exist\u00eancia do Prof. Od\u00e9cio aqui na Terra, e decidiu que ele continuaria sua mestria ao Seu lado.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ele n\u00e3o soube que seu hino virou oficial. Mas Cordeir\u00f3polis canta a sua voz at\u00e9 hoje.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_8581-768x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-769\" style=\"width:800px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_8581-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_8581-225x300.jpeg 225w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_8581-1152x1536.jpeg 1152w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_8581-1536x2048.jpeg 1536w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_8581-scaled.jpeg 1920w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_8580-768x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-770\" srcset=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_8580-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_8580-225x300.jpeg 225w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_8580-1152x1536.jpeg 1152w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_8580-1536x2048.jpeg 1536w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/IMG_8580-scaled.jpeg 1920w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>O que fica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Escola Estadual que leva seu nome guarda mais do que um t\u00edtulo numa plaquinha. Guarda a mem\u00f3ria de um homem que acreditava que educar e preservar eram, no fundo, a mesma coisa: preparar o futuro para quem ainda vai vir.<\/p>\n\n\n\n<p>Os ip\u00eas que ainda existem pela cidade s\u00e3o suas impress\u00f5es digitais na paisagem. A lei que nomeou um bosque que nunca existiu \u00e9 uma ferida aberta e uma promessa pendente. O hino que levou 26 anos para ser reconhecido oficialmente \u00e9 a prova de que algumas vozes precisam de tempo para serem ouvidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Od\u00e9cio Lucke dedicou toda a sua vida \u2014 n\u00e3o a maior parte dela, toda ela \u2014 ao ensino e \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da natureza. Assim registrou, em 9 de maio de 2005, a mulher que esteve ao seu lado por 35 anos:<\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8220;Professor Od\u00e9cio Lucke dedicou toda a sua vida \u2014 n\u00e3o a maior parte dela \u2014 ao ensinar e \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da natureza, que era mais uma de suas paix\u00f5es.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Maria de Lourdes Zanon Lucke sabia o que estava dizendo. Ela viveu ao lado de um homem assim.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Reportagem produzida com base nos documentos originais da fam\u00edlia Lucke: boletim escolar de 1949, Certificado de Registro de Professor n\u00ba 5284 (1952), Lei Municipal n\u00ba 1.726\/1992, Lei Municipal n\u00ba 2.113\/2002 e depoimento escrito pela vi\u00fava Maria de Lourdes Zanon Lucke, em Limeira, 9 de maio de 2005.<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Veja tamb\u00e9m o nosso video contando a trajet\u00f3ria do professor: Od\u00e9cio Lucke<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Od\u00e9cio Lucke \u2014 O professor que plantou ip\u00eas, escreveu o hino e sonhou um bosque para Cordeir\u00f3polis\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Y8xiwIGFrbE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria de Od\u00e9cio Lucke, professor, poeta e guardi\u00e3o da natureza de Cordeir\u00f3polis H\u00e1 homens que passam pela vida deixando rastros. Od\u00e9cio Lucke deixou ra\u00edzes, literalmente. Nascido em Cordeir\u00f3polis no dia 27 de maio de 1931, ele cresceu num tempo em que ensinar era quase um chamado divino, e aprender, uma fome que nunca se apagava. Cumpriu as duas miss\u00f5es com uma dedica\u00e7\u00e3o que poucos conseguem. Mas quem foi, de verdade, o Professor Od\u00e9cio Lucke? O menino que j\u00e1 sabia o que queria Aos 12 anos, em 30 de novembro de 1943, ele conclu\u00eda o curso prim\u00e1rio na Escola Cel. Jos\u00e9 Levy, aqui mesmo em Cordeir\u00f3polis. Era apenas o come\u00e7o. Em dezembro de 1949, formou-se em Mec\u00e2nica de M\u00e1quinas no Gin\u00e1sio Industrial Estadual &#8220;Bento Quirino&#8221;, em Campinas o boletim de notas daquela \u00e9poca, amarelado pelo tempo mas ainda leg\u00edvel, com a assinatura de seu pai Em\u00edlio Lucke m\u00eas a m\u00eas, \u00e9 uma rel\u00edquia que sobreviveu a d\u00e9cadas e conta, em sil\u00eancio, de um jovem disciplinado e comprometido. Em 29 de setembro de 1952, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade lhe entregou o Certificado de Registro de Professor n\u00ba 5284. Na pequena foto preto e branco do documento, um rapaz de terno, cabelos penteados, olhar firme. Ele tinha 21 anos e j\u00e1 era professor. Estaria apto a lecionar Desenho T\u00e9cnico, Constru\u00e7\u00e3o e Montagem de M\u00e1quinas e assim o faria por quase quatro d\u00e9cadas, na Escola T\u00e9cnica Industrial Camargo, em Limeira. Uma vida inteira dentro de sala de aula Ele n\u00e3o parou de aprender nunca. Em 1971, concluiu o curso universit\u00e1rio na Universidade Moreira Moraes, em Cravinhos. Em 1973, certificou-se pelo SENAC em Rela\u00e7\u00f5es Humanas no Trabalho. Em junho de 1974, recebeu o diploma de Pedagogia pela UNAERP, de Ribeir\u00e3o Preto. Em 1986, frequ\u00eancia de 100% e aproveitamento m\u00e1ximo no curso de aprimoramento docente para professores de Mec\u00e2nica. No dia 7 de julho de 1989, o Centro de Professorado Paulista lhe conferiu o Diploma de Honra ao M\u00e9rito, pelo que a vida inteira dedicou \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Milhares de alunos. Quase quarenta anos de sala de aula. Mas havia algo al\u00e9m das f\u00f3rmulas e dos desenhos t\u00e9cnicos que movia aquele homem. O professor que plantava ip\u00eas Od\u00e9cio Lucke era apaixonado pela natureza com a mesma intensidade com que amava o ensino. Pelas ruas de Cordeir\u00f3polis, sua marca est\u00e1 em cada ip\u00ea florido foram plantados por suas m\u00e3os e pelas de quem ele convenceu a plantar junto. Amarelos, roxos, rosas: onde havia um ip\u00ea, havia uma hist\u00f3ria dele. Na Avenida Presidente Vargas, havia um corredor inteiro dessas \u00e1rvores. Os galhos se entrela\u00e7avam sobre o asfalto como um abra\u00e7o vegetal, formando um t\u00fanel de flores que encantava quem passava. Era uma das obras de que mais se orgulhava. Ent\u00e3o, nos anos 90, aquelas \u00e1rvores foram cortadas. A vi\u00fava Maria de Lourdes Zanon Lucke, com quem se casou em 9 de julho de 1955 e com quem teve tr\u00eas filhos: Vagner, Valnei e Valdmir , conta que o marido ficou transtornado. Parentes confirmam: ele n\u00e3o conseguia se conformar. O desgosto foi t\u00e3o fundo que a fam\u00edlia acredita, at\u00e9 hoje, que o corte das \u00e1rvores foi um dos fatores que precipitou seu infarto. Como se parte dele tivesse sido cortada junto. O sonho que ficou no papel Havia outro projeto que carregava no peito: transformar a famosa Mata do Jardim Cordeiro num bosque municipal, &nbsp;um lugar protegido, preservado, vivo. Em 1992, o vereador Haroldo de Jesus Menezes apresentou uma indica\u00e7\u00e3o nesse sentido, e a C\u00e2mara aprovou a Lei n\u00ba 1.726, de 6 de maio de 1992, que constitu\u00eda o Bosque Municipal e, em seu Artigo 6\u00ba, determinava: &#8220;Fica o Bosque Municipal, objeto desta Lei, denominado de &#8216;Bosque Municipal Professor Od\u00e9cio Lucke&#8217;, saudoso educador, que foi pioneiro e atuante batalhador na defesa, preserva\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o do meio ambiente em nosso Munic\u00edpio.&#8221; Era uma homenagem linda. Mas ficou no papel. O bosque nunca saiu do ch\u00e3o. A mata do Jardim Cordeiro n\u00e3o virou o santu\u00e1rio verde que ele sonhava. E Od\u00e9cio Lucke n\u00e3o viveu para ver nem o sonho realizado, nem a injusti\u00e7a corrigida. A letra que virou hino H\u00e1 outra hist\u00f3ria guardada naqueles documentos amarelados. Em algum momento de 1976 \u2014 os rascunhos a punho t\u00eam a data de 20 de agosto de 1976 , Od\u00e9cio Lucke escreveu a letra de um hino. O Hino de Cordeir\u00f3polis. A m\u00fasica ficou com a professora Dyrcea Ricci Ciarocchi. A letra, com ele. E assim permaneceu por d\u00e9cadas: guardada, esquecida nas gavetas, como tantas outras poesias que escreveu ao longo da vida, perdidas &#8220;por uma distra\u00e7\u00e3o do destino&#8221;, como registrou sua esposa. Foi somente em 20 de setembro de 2002 que a Lei Municipal n\u00ba 2.113, proposta pelo vereador Jair Aparecido Dalfr\u00e9, instituiu oficialmente o Hino do Munic\u00edpio \u2014 com m\u00fasica de Dyrcea e letra de Od\u00e9cio. O professor j\u00e1 havia partido h\u00e1 doze anos. Em 19 de mar\u00e7o de 1990, como escreveu sua vi\u00fava com delicadeza e dor: &#8220;foi o dia em que Deus privou-nos da exist\u00eancia do Prof. Od\u00e9cio aqui na Terra, e decidiu que ele continuaria sua mestria ao Seu lado.&#8221; Ele n\u00e3o soube que seu hino virou oficial. Mas Cordeir\u00f3polis canta a sua voz at\u00e9 hoje. O que fica A Escola Estadual que leva seu nome guarda mais do que um t\u00edtulo numa plaquinha. Guarda a mem\u00f3ria de um homem que acreditava que educar e preservar eram, no fundo, a mesma coisa: preparar o futuro para quem ainda vai vir. Os ip\u00eas que ainda existem pela cidade s\u00e3o suas impress\u00f5es digitais na paisagem. A lei que nomeou um bosque que nunca existiu \u00e9 uma ferida aberta e uma promessa pendente. O hino que levou 26 anos para ser reconhecido oficialmente \u00e9 a prova de que algumas vozes precisam de tempo para serem ouvidas. Od\u00e9cio Lucke dedicou toda a sua vida \u2014 n\u00e3o a maior parte dela, toda ela \u2014 ao ensino e \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da natureza. 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