{"id":728,"date":"2026-03-11T13:19:56","date_gmt":"2026-03-11T16:19:56","guid":{"rendered":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/?p=728"},"modified":"2026-03-11T13:19:58","modified_gmt":"2026-03-11T16:19:58","slug":"quando-o-futsal-venceu-o-cinema-a-historia-emocionante-do-bossa-nova-em-santa-gertrudes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/2026\/03\/11\/quando-o-futsal-venceu-o-cinema-a-historia-emocionante-do-bossa-nova-em-santa-gertrudes\/","title":{"rendered":"Quando o Futsal venceu o Cinema: A hist\u00f3ria emocionante do Bossa Nova em Santa Gertrudes"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size\">Havia um tempo em Santa Gertrudes em que as noites pertenciam ao cinema. As pessoas se reuniam nas sess\u00f5es, comentavam os filmes, criavam seus rituais. Mas em 1960, algo mudou para sempre o ritmo da cidade. E n\u00e3o foi uma revolu\u00e7\u00e3o barulhenta , foi uma quadra de futsal sendo erguida tijolo por tijolo, com as m\u00e3os calejadas de quem acreditava que o esporte podia unir mais do que qualquer telona.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"709\" src=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/FUTSAL-1024x709.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-730\" srcset=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/FUTSAL-1024x709.jpeg 1024w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/FUTSAL-300x208.jpeg 300w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/FUTSAL-768x532.jpeg 768w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/FUTSAL-1536x1064.jpeg 1536w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/FUTSAL.jpeg 1600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>O Dinda e o sonho de uma quadra<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Tudo come\u00e7ou com o Dinda, o introdutor do futebol de sal\u00e3o em Santa Gertrudes. N\u00e3o era um homem rico, n\u00e3o tinha grandes recursos. Mas tinha vis\u00e3o. Em 1960, na rua 04, esquina com a avenida 03, come\u00e7ou a ser constru\u00edda uma quadra que mudaria a hist\u00f3ria do esporte na cidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">O terreno foi doado pela fam\u00edlia Buschinelli, &nbsp;gente simples que entendia o valor de um espa\u00e7o para a juventude se encontrar. Os tijolos vieram das m\u00e3os generosas da fam\u00edlia Pascon. E quando a noite ca\u00eda e era preciso iluminar aquele sonho em constru\u00e7\u00e3o, l\u00e1 estava o sr. Armando Craveiro D&#8217;Almeida, garantindo que a luz n\u00e3o faltasse.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A quadra passou a se chamar quadra do UCA &#8211; Unidos Clube Atl\u00e9tico. Hoje, quem passa por ali v\u00ea apenas uma casa. Mas as paredes ainda guardam a mem\u00f3ria dos gritos de &#8220;gol&#8221;, das disputas acirradas, do suor que molhou aquele ch\u00e3o de cimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>A guerra entre o cinema e a bola<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Na \u00e9poca, houve um conflito que parecia bobo, mas revelava algo muito humano: a resist\u00eancia \u00e0 mudan\u00e7a. O cinema local estava acostumado com suas sess\u00f5es lotadas, com o ritual sagrado das noites de filme. De repente, aparecia ali uma quadra, com jogos realizados \u00e0 noite, roubando a aten\u00e7\u00e3o &nbsp;e a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">As pessoas deixaram de frequentar o cinema. Preferiam o calor da torcida, a imprevisibilidade da bola quicando, a emo\u00e7\u00e3o de torcer pelos vizinhos, pelos amigos, pelos filhos. O cinema reclamou. Houve debates. Tens\u00e3o no ar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"663\" height=\"540\" src=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/cinema.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-735\" srcset=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/cinema.jpg 663w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/cinema-300x244.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 663px) 100vw, 663px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cinema Recreio<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Mas sabe como \u00e9: quando o povo escolhe, n\u00e3o h\u00e1 argumento que conven\u00e7a. E o povo de Santa Gertrudes escolheu o futsal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Logo se chegou a um consenso sensato e tipicamente brasileiro: os jogos passaram a ser realizados nos dias em que n\u00e3o havia sess\u00e3o no cinema. Problema resolvido. Cinema e esporte aprenderam a dividir o mesmo c\u00e9u estrelado de Santa Gertrudes.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/guerraentrecinemaefutsal-1024x683.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-731\" srcset=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/guerraentrecinemaefutsal-1024x683.png 1024w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/guerraentrecinemaefutsal-300x200.png 300w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/guerraentrecinemaefutsal-768x512.png 768w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/guerraentrecinemaefutsal.png 1536w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>O E.C. Bossa Nova: muito mais que um nome<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Este fato foi relatado por uma pessoa da \u00e9poca, algu\u00e9m que viveu aqueles dias, sentiu aquela emo\u00e7\u00e3o, viu a cidade se transformar. O time da foto \u00e9 de 1960, montado pelo italiano Italo Pagni, e se chamava E.C. Bossa Nova.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Que nome! Bossa Nova. A mesma \u00e9poca em que o Brasil inteiro se rendia aos acordes de Jo\u00e3o Gilberto, Tom Jobim e Vinicius de Moraes, Santa Gertrudes tinha seu pr\u00f3prio Bossa Nova, n\u00e3o de viol\u00e3o e voz suave, mas de chuteiras, suor e garra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Os craques que fizeram hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Olhamos para aquela foto de 1960 e vejo mais do que jogadores. Vejo hist\u00f3rias. Da esquerda para a direita, em p\u00e9:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"785\" height=\"538\" src=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/jogadreosfutsal1960.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-732\" srcset=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/jogadreosfutsal1960.jpeg 785w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/jogadreosfutsal1960-300x206.jpeg 300w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/jogadreosfutsal1960-768x526.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 785px) 100vw, 785px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Faisca<\/strong> &#8211; que nome para um atacante! Devia ser r\u00e1pido como um raio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Chic\u00e3o Miranda<\/strong> &#8211; sobrenome conhecido em Santa Gertrudes, fam\u00edlia de raiz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Duca Tonon<\/strong> &#8211; o &#8220;Duca&#8221;, apelido carinhoso que s\u00f3 quem \u00e9 querido na cidade ganha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Italo Pagni<\/strong> &#8211; o italiano que montou o time, o vision\u00e1rio que transformou sonho em realidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Zez\u00e3o Scatolin<\/strong> &#8211; o grandalh\u00e3o, certamente era o &#8220;pared\u00e3o&#8221; da defesa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Agachados, mais pr\u00f3ximos do ch\u00e3o, mais pr\u00f3ximos da humildade que caracterizava aqueles homens:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Eca dos Santos<\/strong> &#8211; nome popular, gente simples, cora\u00e7\u00e3o gigante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Adilson Valvassori<\/strong> &#8211; sobrenome que ainda ecoa pelas ruas da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Lelo Seneme<\/strong> &#8211; cada nome desses carrega uma fam\u00edlia, uma hist\u00f3ria, um legado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>O que aquela quadra qepresentava<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">N\u00e3o era s\u00f3 um lugar para jogar bola. Era onde os jovens se encontravam depois do trabalho na cer\u00e2mica. Era onde os pais levavam os filhos para ensinar que se ganha com humildade e se perde com dignidade. Era onde namoros come\u00e7avam, nas arquibancadas improvisadas, com a desculpa de &#8220;vim torcer pelo meu time&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A ilumina\u00e7\u00e3o do sr. Armando n\u00e3o apenas clareava a quadra, &nbsp;iluminava vidas. Os tijolos da fam\u00edlia Pascon n\u00e3o apenas sustentavam paredes &#8211; sustentavam sonhos. O terreno dos Buschinelli n\u00e3o era apenas um peda\u00e7o de ch\u00e3o, era um peda\u00e7o de futuro sendo plantado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/localondeera-aquadra-1024x683.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-733\" srcset=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/localondeera-aquadra-1024x683.png 1024w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/localondeera-aquadra-300x200.png 300w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/localondeera-aquadra-768x512.png 768w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/localondeera-aquadra.png 1536w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Local onde era a quadra. Hoje casa paroquial<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/casaparoquial-1024x768.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-734\" srcset=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/casaparoquial-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/casaparoquial-300x225.jpeg 300w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/casaparoquial-768x576.jpeg 768w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/casaparoquial.jpeg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Hoje \u00e9 a casa paroquial <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Quando o esporte une mais que separa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Aquele conflito inicial entre cinema e futsal nos ensina algo bonito: \u00e0s vezes precisamos criar espa\u00e7os para que coisas diferentes coexistam. O cinema n\u00e3o morreu. O futsal n\u00e3o foi proibido. Ambos encontraram seu lugar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">E Santa Gertrudes cresceu com isso. Aprendeu que a cidade \u00e9 grande o bastante para comportar diferentes paix\u00f5es, diferentes formas de se reunir, diferentes jeitos de ser feliz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>O legado que permanece<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Hoje, quando vemos meninos e meninas jogando futsal em Santa Gertrudes, pensemos no Dinda. Pensemos no Italo Pagni reunindo aqueles homens. Pensemos nas fam\u00edlias que doaram tijolo, terreno e luz para que um sonho se concretizasse.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A quadra do UCA n\u00e3o existe mais fisicamente. Virou casa, virou passado. Mas o esp\u00edrito daquela \u00e9poca permanece cada vez que uma bola quica em qualquer quadra da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">O E.C. Bossa Nova pode ter ficado apenas na fotografia amarelada de 1960. Mas a bossa, a habilidade, o jeitinho, a arte de jogar bonito, &nbsp;essa continuou. Passou de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, de pai para filho, de av\u00f4 para neto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Uma homenagem necess\u00e1ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Esta hist\u00f3ria precisa ser contada. Precisa ser lembrada. Porque quando esquecemos de onde viemos, perdemos a no\u00e7\u00e3o de para onde vamos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">O Dinda trouxe o futsal. As fam\u00edlias Buschinelli, Pascon e o sr. Armando Craveiro D&#8217;Almeida deram as condi\u00e7\u00f5es. O Italo Pagni montou o time. Os jogadores deram o sangue em quadra. E a popula\u00e7\u00e3o deu o mais importante: o apoio, a presen\u00e7a, o amor incondicional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Ao Faisca, ao Chic\u00e3o Miranda, ao Duca Tonon, ao Zez\u00e3o Scatolin, ao Eca dos Santos, ao Adilson Valvassori, ao Lelo Seneme, onde quer que estejam hoje, a fam\u00edlia gertrudense agradece dizendo: muito obrigado. Voc\u00eas n\u00e3o apenas jogaram futsal. Voc\u00eas constru\u00edram mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">E \u00e0 cidade de Santa Gertrudes, que soube escolher o esporte sem abandonar o cinema, que soube crescer sem perder a ess\u00eancia, que soube valorizar os homens simples que fazem hist\u00f3ria sem aparecer nos holofotes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Nota final<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Enquanto escrevemos estas linhas, vamos imaginar aquela quadra iluminada em 1960. Imagina o barulho da bola batendo no ch\u00e3o de cimento, os gritos da torcida, o apito do juiz. Imagina o cheiro de suor misturado com a brisa da noite. Imagina a felicidade estampada no rosto daqueles homens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">E com certeza voc\u00ea sorriu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Porque essa hist\u00f3ria, a hist\u00f3ria gertrudense do futsal, merece ser contada. Merece ser guardada. Merece ser passada adiante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Santa Gertrudes, terra de gente boa, de esporte verdadeiro, de hist\u00f3rias que merecem ser lembradas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><em>Jos\u00e9 Milani, o Gancho<\/em><br><em>Historiador esportivo e gertrudense nato<\/em><br><em>Para o projeto T\u00e1 no Arquivo<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Veja o v\u00eddeo em nosso canal<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"CINEMA VS FUTSAL: A BATALHA QUE MUDOU SANTA GERTRUDES\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/aaCY4u9Eox4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Havia um tempo em Santa Gertrudes em que as noites pertenciam ao cinema. As pessoas se reuniam nas sess\u00f5es, comentavam os filmes, criavam seus rituais. Mas em 1960, algo mudou para sempre o ritmo da cidade. E n\u00e3o foi uma revolu\u00e7\u00e3o barulhenta , foi uma quadra de futsal sendo erguida tijolo por tijolo, com as m\u00e3os calejadas de quem acreditava que o esporte podia unir mais do que qualquer telona. O Dinda e o sonho de uma quadra Tudo come\u00e7ou com o Dinda, o introdutor do futebol de sal\u00e3o em Santa Gertrudes. N\u00e3o era um homem rico, n\u00e3o tinha grandes recursos. Mas tinha vis\u00e3o. Em 1960, na rua 04, esquina com a avenida 03, come\u00e7ou a ser constru\u00edda uma quadra que mudaria a hist\u00f3ria do esporte na cidade. O terreno foi doado pela fam\u00edlia Buschinelli, &nbsp;gente simples que entendia o valor de um espa\u00e7o para a juventude se encontrar. Os tijolos vieram das m\u00e3os generosas da fam\u00edlia Pascon. E quando a noite ca\u00eda e era preciso iluminar aquele sonho em constru\u00e7\u00e3o, l\u00e1 estava o sr. Armando Craveiro D&#8217;Almeida, garantindo que a luz n\u00e3o faltasse. A quadra passou a se chamar quadra do UCA &#8211; Unidos Clube Atl\u00e9tico. Hoje, quem passa por ali v\u00ea apenas uma casa. Mas as paredes ainda guardam a mem\u00f3ria dos gritos de &#8220;gol&#8221;, das disputas acirradas, do suor que molhou aquele ch\u00e3o de cimento. A guerra entre o cinema e a bola Na \u00e9poca, houve um conflito que parecia bobo, mas revelava algo muito humano: a resist\u00eancia \u00e0 mudan\u00e7a. O cinema local estava acostumado com suas sess\u00f5es lotadas, com o ritual sagrado das noites de filme. De repente, aparecia ali uma quadra, com jogos realizados \u00e0 noite, roubando a aten\u00e7\u00e3o &nbsp;e a popula\u00e7\u00e3o. As pessoas deixaram de frequentar o cinema. Preferiam o calor da torcida, a imprevisibilidade da bola quicando, a emo\u00e7\u00e3o de torcer pelos vizinhos, pelos amigos, pelos filhos. O cinema reclamou. Houve debates. Tens\u00e3o no ar. Mas sabe como \u00e9: quando o povo escolhe, n\u00e3o h\u00e1 argumento que conven\u00e7a. E o povo de Santa Gertrudes escolheu o futsal. Logo se chegou a um consenso sensato e tipicamente brasileiro: os jogos passaram a ser realizados nos dias em que n\u00e3o havia sess\u00e3o no cinema. Problema resolvido. Cinema e esporte aprenderam a dividir o mesmo c\u00e9u estrelado de Santa Gertrudes. O E.C. Bossa Nova: muito mais que um nome Este fato foi relatado por uma pessoa da \u00e9poca, algu\u00e9m que viveu aqueles dias, sentiu aquela emo\u00e7\u00e3o, viu a cidade se transformar. O time da foto \u00e9 de 1960, montado pelo italiano Italo Pagni, e se chamava E.C. Bossa Nova. Que nome! Bossa Nova. A mesma \u00e9poca em que o Brasil inteiro se rendia aos acordes de Jo\u00e3o Gilberto, Tom Jobim e Vinicius de Moraes, Santa Gertrudes tinha seu pr\u00f3prio Bossa Nova, n\u00e3o de viol\u00e3o e voz suave, mas de chuteiras, suor e garra. Os craques que fizeram hist\u00f3ria Olhamos para aquela foto de 1960 e vejo mais do que jogadores. Vejo hist\u00f3rias. Da esquerda para a direita, em p\u00e9: Faisca &#8211; que nome para um atacante! Devia ser r\u00e1pido como um raio. Chic\u00e3o Miranda &#8211; sobrenome conhecido em Santa Gertrudes, fam\u00edlia de raiz. Duca Tonon &#8211; o &#8220;Duca&#8221;, apelido carinhoso que s\u00f3 quem \u00e9 querido na cidade ganha. Italo Pagni &#8211; o italiano que montou o time, o vision\u00e1rio que transformou sonho em realidade. Zez\u00e3o Scatolin &#8211; o grandalh\u00e3o, certamente era o &#8220;pared\u00e3o&#8221; da defesa. Agachados, mais pr\u00f3ximos do ch\u00e3o, mais pr\u00f3ximos da humildade que caracterizava aqueles homens: Eca dos Santos &#8211; nome popular, gente simples, cora\u00e7\u00e3o gigante. Adilson Valvassori &#8211; sobrenome que ainda ecoa pelas ruas da cidade. Lelo Seneme &#8211; cada nome desses carrega uma fam\u00edlia, uma hist\u00f3ria, um legado. O que aquela quadra qepresentava N\u00e3o era s\u00f3 um lugar para jogar bola. Era onde os jovens se encontravam depois do trabalho na cer\u00e2mica. Era onde os pais levavam os filhos para ensinar que se ganha com humildade e se perde com dignidade. Era onde namoros come\u00e7avam, nas arquibancadas improvisadas, com a desculpa de &#8220;vim torcer pelo meu time&#8221;. A ilumina\u00e7\u00e3o do sr. Armando n\u00e3o apenas clareava a quadra, &nbsp;iluminava vidas. Os tijolos da fam\u00edlia Pascon n\u00e3o apenas sustentavam paredes &#8211; sustentavam sonhos. O terreno dos Buschinelli n\u00e3o era apenas um peda\u00e7o de ch\u00e3o, era um peda\u00e7o de futuro sendo plantado. Quando o esporte une mais que separa Aquele conflito inicial entre cinema e futsal nos ensina algo bonito: \u00e0s vezes precisamos criar espa\u00e7os para que coisas diferentes coexistam. O cinema n\u00e3o morreu. O futsal n\u00e3o foi proibido. Ambos encontraram seu lugar. E Santa Gertrudes cresceu com isso. Aprendeu que a cidade \u00e9 grande o bastante para comportar diferentes paix\u00f5es, diferentes formas de se reunir, diferentes jeitos de ser feliz. O legado que permanece Hoje, quando vemos meninos e meninas jogando futsal em Santa Gertrudes, pensemos no Dinda. Pensemos no Italo Pagni reunindo aqueles homens. Pensemos nas fam\u00edlias que doaram tijolo, terreno e luz para que um sonho se concretizasse. A quadra do UCA n\u00e3o existe mais fisicamente. Virou casa, virou passado. Mas o esp\u00edrito daquela \u00e9poca permanece cada vez que uma bola quica em qualquer quadra da cidade. O E.C. Bossa Nova pode ter ficado apenas na fotografia amarelada de 1960. Mas a bossa, a habilidade, o jeitinho, a arte de jogar bonito, &nbsp;essa continuou. Passou de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, de pai para filho, de av\u00f4 para neto. Uma homenagem necess\u00e1ria Esta hist\u00f3ria precisa ser contada. Precisa ser lembrada. Porque quando esquecemos de onde viemos, perdemos a no\u00e7\u00e3o de para onde vamos. O Dinda trouxe o futsal. As fam\u00edlias Buschinelli, Pascon e o sr. Armando Craveiro D&#8217;Almeida deram as condi\u00e7\u00f5es. O Italo Pagni montou o time. Os jogadores deram o sangue em quadra. E a popula\u00e7\u00e3o deu o mais importante: o apoio, a presen\u00e7a, o amor incondicional. Ao Faisca, ao Chic\u00e3o Miranda, ao Duca Tonon, ao Zez\u00e3o Scatolin, ao Eca dos Santos, ao Adilson Valvassori, ao Lelo Seneme, onde quer que estejam hoje, a fam\u00edlia gertrudense agradece dizendo: muito obrigado. Voc\u00eas n\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":729,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-728","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/728","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=728"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/728\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":738,"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/728\/revisions\/738"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/729"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=728"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=728"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=728"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}