{"id":513,"date":"2025-10-29T11:15:46","date_gmt":"2025-10-29T14:15:46","guid":{"rendered":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/?p=513"},"modified":"2025-10-29T11:15:47","modified_gmt":"2025-10-29T14:15:47","slug":"o-martello-um-jornal-humoristico-de-cordeiro-em-1916","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/2025\/10\/29\/o-martello-um-jornal-humoristico-de-cordeiro-em-1916\/","title":{"rendered":"O Martello: um jornal humor\u00edstico de Cordeiro em 1916"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>3 de dezembro de 1916 &#8211; N\u00famero 3<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um retrato do Brasil em plena primeira Guerra Mundial<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto a Europa sangrava nos campos de batalha da Primeira Guerra Mundial, em Cordeiro, interior do Rio de Janeiro, circulava aos domingos um pequeno jornal que retratava o cotidiano, as fofocas, os amores e os costumes de uma cidadezinha brasileira do in\u00edcio do s\u00e9culo XX.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O Martello&#8221; &#8211; com dois L&#8217;s, grafia da \u00e9poca &#8211; se apresentava como um peri\u00f3dico de &#8220;cr\u00edtica e literatura \/ humorismo e variedades&#8221;, propriedade de uma associa\u00e7\u00e3o com redatores diversos. Era 1916, o Brasil ainda vivia a Belle \u00c9poque tropical, e a imprensa local fervilhava com publica\u00e7\u00f5es semanais que misturavam literatura, s\u00e1tira social e cr\u00f4nicas do cotidiano.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A estrutura do jornal<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Esta edi\u00e7\u00e3o de dezembro de 1916 traz em suas p\u00e1ginas uma mistura fascinante de g\u00eaneros:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"620\" height=\"889\" src=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/jornalomartello_1916_tanoarquivopag01.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-515\" srcset=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/jornalomartello_1916_tanoarquivopag01.jpg 620w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/jornalomartello_1916_tanoarquivopag01-209x300.jpg 209w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Literatura e reflex\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A p\u00e1gina de abertura apresenta textos filos\u00f3ficos e melanc\u00f3licos, t\u00edpicos do romantismo tardio que ainda dominava as letras brasileiras. Um dos textos, intitulado &#8220;Logares felizes&#8221;, reflete sobre o fim das coisas e a passagem do tempo, tema recorrente em uma \u00e9poca marcada pelas incertezas da guerra mundial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A coluna social: &#8220;N\u00e3o sympathisamos&#8230;&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Aqui est\u00e1 o cora\u00e7\u00e3o do jornal humor\u00edstico! Esta se\u00e7\u00e3o listava, de forma sat\u00edrica, personagens locais e suas caracter\u00edsticas. Era o equivalente \u00e0s redes sociais da \u00e9poca, todos queriam saber quem estava sendo &#8220;cutucado&#8221; publicamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns exemplos curiosos mencionados:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>&#8220;com o chap\u00e9osinho de 200 r\u00e9is, do Z\u00e9 Mussi&#8221;<\/strong> &#8211; provavelmente uma cr\u00edtica a algu\u00e9m usando um chap\u00e9u barato ou fora de moda;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>&#8220;com o terno ensebado, do Orozimbo&#8221;<\/strong> &#8211; &#8220;ensebado&#8221; significa sujo de sebo\/gordura, mostrando falta de cuidado com a apar\u00eancia;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>&#8220;com a barba de mandy, do Jo\u00e3o Rossetti&#8221;<\/strong> &#8211; &#8220;mandy&#8221; era uma g\u00edria da \u00e9poca, possivelmente referindo-se a uma barba mal cuidada;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>&#8220;com a mania do Cesarino, em querer ser actor dramatico&#8221;<\/strong> &#8211; algu\u00e9m que sonhava ser ator e era motivo de piada;<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"620\" height=\"878\" src=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/jornalomartello_1916_tanoarquivopag03.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-517\" srcset=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/jornalomartello_1916_tanoarquivopag03.jpg 620w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/jornalomartello_1916_tanoarquivopag03-212x300.jpg 212w\" sizes=\"(max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Fofocas e mexericos: &#8220;Implico-me&#8230;&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Outra coluna deliciosa! Aqui o jornal &#8220;implicava&#8221; com situa\u00e7\u00f5es do cotidiano local:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Cigarros de determinadas marcas<\/li>\n\n\n\n<li>O comportamento do &#8220;Orozimbo&#8221; (personagem recorrente!)<\/li>\n\n\n\n<li>Facilidades nas fazendas de algu\u00e9m chamado Z\u00e9 Rossetti<\/li>\n\n\n\n<li>O olho de pontaria do Cesarino<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Contos: &#8220;Contos electricos&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O jornal publicava fic\u00e7\u00e3o! A se\u00e7\u00e3o traz um conto sobre &#8220;Lul\u00fa&#8221;, descrito como um valdivioso (palavra da \u00e9poca para valent\u00e3o, brig\u00e3o). A hist\u00f3ria narra situa\u00e7\u00f5es do cotidiano com humor, mostrando o estilo de narrativa popular da \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Notici\u00e1rio local<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A se\u00e7\u00e3o &#8220;NOTICIARIO&#8221; trazia informa\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>&#8220;Em viagem&#8221;<\/strong> &#8211; Anunciava quem viajaria para Araras para assistir festas religiosas do Manel de Jesus, Orozimbo Porto e Jos\u00e9 Mussi;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Neg\u00f3cios<\/strong> &#8211; Informava sobre Gumercindo Victorino indo ao Rio Claro para depois regressar a Araras;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>&#8220;Cinema Radium&#8221;<\/strong> &#8211; Anunciava espet\u00e1culos de cinema, uma novidade tecnol\u00f3gica da \u00e9poca!<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>An\u00fancios: Uma janela para o passado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Hotel dos Viajantes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>De Mariano Cassavia<\/em> &#8211; <em>Rua Toledo Barros<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O an\u00fancio promete:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>&#8220;Estabelecimento montado a capricho e hygiene&#8221;<\/li>\n\n\n\n<li>&#8220;Comida a toda a hora&#8221;<\/li>\n\n\n\n<li>&#8220;Conforto e tranquillidade \u00e0s exmas. familias&#8221;<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Note a \u00eanfase em &#8220;hygiene&#8221;, o movimento higienista estava em alta no Brasil, especialmente ap\u00f3s epidemias de febre amarela e gripe espanhola que assolaram o pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cinema Radium<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O cinema era a grande novidade tecnol\u00f3gica! O an\u00fancio menciona &#8220;programmas distribuidos&#8221; e &#8220;film relativo aos assumptos da grande guerra&#8221; &#8211; a Primeira Guerra Mundial era consumida como entretenimento nas telonas!<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"602\" height=\"880\" src=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/jornalomartello_1916_tanoarquivopag02-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-518\" srcset=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/jornalomartello_1916_tanoarquivopag02-1.jpg 602w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/jornalomartello_1916_tanoarquivopag02-1-205x300.jpg 205w\" sizes=\"(max-width: 602px) 100vw, 602px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Express\u00f5es e linguagem da \u00e9poca<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Alguns termos que saltam aos olhos:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>&#8220;Ensebado&#8221;<\/strong> &#8211; sujo de sebo\/gordura<\/li>\n\n\n\n<li><strong>&#8220;Valdivioso&#8221;<\/strong> &#8211; valent\u00e3o, brig\u00e3o<\/li>\n\n\n\n<li><strong>&#8220;Exmas. familias&#8221;<\/strong> &#8211; Excelent\u00edssimas fam\u00edlias (tratamento formal)<\/li>\n\n\n\n<li><strong>&#8220;Hygiene&#8221;<\/strong> &#8211; escrita antiga de &#8220;higiene&#8221;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>&#8220;Sympathisamos&#8221;<\/strong> &#8211; com Y, grafia pr\u00e9-reforma ortogr\u00e1fica<\/li>\n\n\n\n<li><strong>&#8220;Implicar-se&#8221;<\/strong> &#8211; irritar-se, ter birra com algo<\/li>\n\n\n\n<li><strong>&#8220;Asignaturas&#8221;<\/strong> &#8211; assinaturas do jornal<\/li>\n\n\n\n<li><strong>&#8220;Redactores&#8221;<\/strong> &#8211; redatores<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>A pontua\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m era diferente, com uso frequente de ponto e v\u00edrgula onde hoje usar\u00edamos v\u00edrgulas simples.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O contexto hist\u00f3rico: 1916<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>No mundo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>A Primeira Guerra Mundial estava no auge (1914-1918)<\/li>\n\n\n\n<li>A Batalha de Verdun e a Batalha do Somme mataram milh\u00f5es<\/li>\n\n\n\n<li>O Brasil ainda era neutro (s\u00f3 entraria na guerra em 1917)<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>No Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Presid\u00eancia de Wenceslau Br\u00e1s (1914-1918)<\/li>\n\n\n\n<li>Economia cafeeira dominante<\/li>\n\n\n\n<li>In\u00edcio da industrializa\u00e7\u00e3o nas grandes cidades<\/li>\n\n\n\n<li>Interior ainda muito rural e ligado aos costumes do s\u00e9culo XIX<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Em Cordeiro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como vemos pelo jornal, a vida seguia com suas pequenas fofocas, mexericos, bailes, idas ao cinema e preocupa\u00e7\u00f5es cotidianas. A guerra mundial parecia distante, aparecia apenas como curiosidade nas telas do Cinema Radium.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Personagens recorrentes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Alguns nomes aparecem v\u00e1rias vezes no jornal, sugerindo serem figuras conhecidas da cidade:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Orozimbo<\/strong> (Porto) &#8211; Citado m\u00faltiplas vezes, parece ser alvo frequente de piadas<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Z\u00e9 Mussi \/ Jos\u00e9 Mussi<\/strong> &#8211; Outro personagem recorrente<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Jo\u00e3o Rossotti<\/strong> &#8211; Mencionado na coluna de cr\u00edticas<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Cesarino<\/strong> &#8211; Aspirante a ator dram\u00e1tico<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Gumercindo<\/strong> (Victorino) &#8211; Comerciante local<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Manequinho<\/strong> &#8211; Figura local mencionada nas cr\u00f4nicas<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>O valor hist\u00f3rico de &#8220;O Martello&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Este pequeno jornal \u00e9 um documento precioso porque:<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"1\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Registra a linguagem oral<\/strong> da \u00e9poca atrav\u00e9s das colunas de humor<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Mostra o cotidiano real<\/strong> &#8211; n\u00e3o apenas grandes eventos, mas a vida comum<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Revela a estrutura social<\/strong> &#8211; quem eram as figuras importantes, o que se valorizava<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Documenta costumes<\/strong> &#8211; do vestu\u00e1rio aos entretenimentos<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Preserva a mem\u00f3ria local<\/strong> &#8211; nomes, lugares e estabelecimentos de Cordeiro<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>Enquanto jornais das capitais cobriam pol\u00edtica e guerra, &#8220;O Martello&#8221; fazia algo igualmente importante: registrava a vida simples de uma pequena cidade brasileira, com seus personagens, suas manias, suas fofocas e seus sonhos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para refletir<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Imagine se, daqui a 100 anos, algu\u00e9m encontrar posts das redes sociais de hoje. Que imagem teriam de nossa \u00e9poca? &#8220;O Martello&#8221; cumpre exatamente esse papel: \u00e9 o Instagram, o Twitter e o jornal local de 1916, tudo em um.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada nome citado foi uma pessoa real. Cada piada tinha um contexto. Cada an\u00fancio representava o ganha-p\u00e3o de algu\u00e9m. Este pequeno jornal de tr\u00eas p\u00e1ginas \u00e9 um portal do tempo para o Brasil de mais de um s\u00e9culo atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fonte:<\/strong> O Martello, Cordeiro, 3 de dezembro de 1916, Ano I, N\u00famero 3.<br><strong>Acervo:<\/strong> Ta no Arquivo<\/p>\n\n\n\n<p><em>Gostou deste mergulho na hist\u00f3ria? Temos muito mais jornais antigos para explorar! Acompanhe o Ta no Arquivo para mais viagens no tempo atrav\u00e9s dos peri\u00f3dicos hist\u00f3ricos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea tem arquivos de jornais? Mande pra n\u00f3s e compartilhe!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>3 de dezembro de 1916 &#8211; N\u00famero 3 Um retrato do Brasil em plena primeira Guerra Mundial Enquanto a Europa sangrava nos campos de batalha da Primeira Guerra Mundial, em Cordeiro, interior do Rio de Janeiro, circulava aos domingos um pequeno jornal que retratava o cotidiano, as fofocas, os amores e os costumes de uma cidadezinha brasileira do in\u00edcio do s\u00e9culo XX. &#8220;O Martello&#8221; &#8211; com dois L&#8217;s, grafia da \u00e9poca &#8211; se apresentava como um peri\u00f3dico de &#8220;cr\u00edtica e literatura \/ humorismo e variedades&#8221;, propriedade de uma associa\u00e7\u00e3o com redatores diversos. Era 1916, o Brasil ainda vivia a Belle \u00c9poque tropical, e a imprensa local fervilhava com publica\u00e7\u00f5es semanais que misturavam literatura, s\u00e1tira social e cr\u00f4nicas do cotidiano. A estrutura do jornal Esta edi\u00e7\u00e3o de dezembro de 1916 traz em suas p\u00e1ginas uma mistura fascinante de g\u00eaneros: Literatura e reflex\u00e3o A p\u00e1gina de abertura apresenta textos filos\u00f3ficos e melanc\u00f3licos, t\u00edpicos do romantismo tardio que ainda dominava as letras brasileiras. Um dos textos, intitulado &#8220;Logares felizes&#8221;, reflete sobre o fim das coisas e a passagem do tempo, tema recorrente em uma \u00e9poca marcada pelas incertezas da guerra mundial. A coluna social: &#8220;N\u00e3o sympathisamos&#8230;&#8221; Aqui est\u00e1 o cora\u00e7\u00e3o do jornal humor\u00edstico! Esta se\u00e7\u00e3o listava, de forma sat\u00edrica, personagens locais e suas caracter\u00edsticas. Era o equivalente \u00e0s redes sociais da \u00e9poca, todos queriam saber quem estava sendo &#8220;cutucado&#8221; publicamente. Alguns exemplos curiosos mencionados: Fofocas e mexericos: &#8220;Implico-me&#8230;&#8221; Outra coluna deliciosa! Aqui o jornal &#8220;implicava&#8221; com situa\u00e7\u00f5es do cotidiano local: Contos: &#8220;Contos electricos&#8221; O jornal publicava fic\u00e7\u00e3o! A se\u00e7\u00e3o traz um conto sobre &#8220;Lul\u00fa&#8221;, descrito como um valdivioso (palavra da \u00e9poca para valent\u00e3o, brig\u00e3o). A hist\u00f3ria narra situa\u00e7\u00f5es do cotidiano com humor, mostrando o estilo de narrativa popular da \u00e9poca. Notici\u00e1rio local A se\u00e7\u00e3o &#8220;NOTICIARIO&#8221; trazia informa\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas: An\u00fancios: Uma janela para o passado Hotel dos Viajantes De Mariano Cassavia &#8211; Rua Toledo Barros O an\u00fancio promete: Note a \u00eanfase em &#8220;hygiene&#8221;, o movimento higienista estava em alta no Brasil, especialmente ap\u00f3s epidemias de febre amarela e gripe espanhola que assolaram o pa\u00eds. Cinema Radium O cinema era a grande novidade tecnol\u00f3gica! O an\u00fancio menciona &#8220;programmas distribuidos&#8221; e &#8220;film relativo aos assumptos da grande guerra&#8221; &#8211; a Primeira Guerra Mundial era consumida como entretenimento nas telonas! Express\u00f5es e linguagem da \u00e9poca Alguns termos que saltam aos olhos: A pontua\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m era diferente, com uso frequente de ponto e v\u00edrgula onde hoje usar\u00edamos v\u00edrgulas simples. O contexto hist\u00f3rico: 1916 No mundo No Brasil Em Cordeiro Como vemos pelo jornal, a vida seguia com suas pequenas fofocas, mexericos, bailes, idas ao cinema e preocupa\u00e7\u00f5es cotidianas. A guerra mundial parecia distante, aparecia apenas como curiosidade nas telas do Cinema Radium. Personagens recorrentes Alguns nomes aparecem v\u00e1rias vezes no jornal, sugerindo serem figuras conhecidas da cidade: O valor hist\u00f3rico de &#8220;O Martello&#8221; Este pequeno jornal \u00e9 um documento precioso porque: Enquanto jornais das capitais cobriam pol\u00edtica e guerra, &#8220;O Martello&#8221; fazia algo igualmente importante: registrava a vida simples de uma pequena cidade brasileira, com seus personagens, suas manias, suas fofocas e seus sonhos. Para refletir Imagine se, daqui a 100 anos, algu\u00e9m encontrar posts das redes sociais de hoje. Que imagem teriam de nossa \u00e9poca? &#8220;O Martello&#8221; cumpre exatamente esse papel: \u00e9 o Instagram, o Twitter e o jornal local de 1916, tudo em um. Cada nome citado foi uma pessoa real. Cada piada tinha um contexto. Cada an\u00fancio representava o ganha-p\u00e3o de algu\u00e9m. Este pequeno jornal de tr\u00eas p\u00e1ginas \u00e9 um portal do tempo para o Brasil de mais de um s\u00e9culo atr\u00e1s. Fonte: O Martello, Cordeiro, 3 de dezembro de 1916, Ano I, N\u00famero 3.Acervo: Ta no Arquivo Gostou deste mergulho na hist\u00f3ria? Temos muito mais jornais antigos para explorar! Acompanhe o Ta no Arquivo para mais viagens no tempo atrav\u00e9s dos peri\u00f3dicos hist\u00f3ricos. Voc\u00ea tem arquivos de jornais? Mande pra n\u00f3s e compartilhe!<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":514,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[48],"tags":[],"class_list":["post-513","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-jornais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/513","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=513"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/513\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":520,"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/513\/revisions\/520"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/514"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=513"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=513"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=513"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}