{"id":493,"date":"2025-10-27T15:25:52","date_gmt":"2025-10-27T18:25:52","guid":{"rendered":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/?p=493"},"modified":"2025-10-27T15:43:45","modified_gmt":"2025-10-27T18:43:45","slug":"voce-sabia-que-a-estacao-de-cordeiropolis-nasceu-de-uma-curva-no-meio-do-nada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/2025\/10\/27\/voce-sabia-que-a-estacao-de-cordeiropolis-nasceu-de-uma-curva-no-meio-do-nada\/","title":{"rendered":"Voc\u00ea sabia que a esta\u00e7\u00e3o de Cordeir\u00f3polis nasceu de uma \u201ccurva no meio do nada\u201d?"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Veja tamb\u00e9m: como uma derrota pol\u00edtica se transformou na maior vit\u00f3ria da Companhia Paulista.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>H\u00e1 hist\u00f3rias que come\u00e7am com um sonho audacioso e terminam em gl\u00f3ria. Outras come\u00e7am com um sonho audacioso e quase morrem no meio do caminho. Esta \u00e9 a hist\u00f3ria de um ramal ferrovi\u00e1rio que quase n\u00e3o saiu do papel, mas que quando finalmente se concretizou, mudou para sempre o destino de cidades inteiras no interior paulista.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Corria o ano de 1874. A Companhia Paulista de Estradas de Ferro j\u00e1 havia conquistado um feito not\u00e1vel: seus trilhos cortavam o interior paulista, ligando Jundia\u00ed a Campinas, avan\u00e7ando por Limeira e Rio Claro, com o ambicioso objetivo de chegar at\u00e9 Ribeir\u00e3o Preto. O caf\u00e9 continuava sendo o motor da expans\u00e3o ferrovi\u00e1ria, e os fazendeiros pressionavam cada vez mais: &#8220;Queremos os trilhos chegando at\u00e9 nossas propriedades!&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas havia um problema. Um problema pol\u00edtico, diga-se de passagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a Companhia Paulista estava prestes a realizar o sonho de ligar seus trilhos at\u00e9 as ricas terras de Ribeir\u00e3o Preto, o governo imperial simplesmente disse: &#8220;N\u00e3o.&#8221; A concess\u00e3o foi negada e entregue a outra empresa; a Companhia Mogyana de Estradas de Ferro. Foi uma das maiores &#8220;brigas&#8221; ferrovi\u00e1rias em solo brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, onde uma porta se fecha, uma janela se abre. E a Companhia Paulista, determinada a n\u00e3o desperdi\u00e7ar seus investimentos e manter sua relev\u00e2ncia, decidiu buscar uma alternativa: se n\u00e3o podiam ir at\u00e9 Ribeir\u00e3o Preto, iriam criar um ramal que atendesse outras regi\u00f5es produtoras de caf\u00e9. Assim nasceu o projeto da &#8220;Linha do Mogi Gua\u00e7u&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Ao-fundo-a-Estacao-de-\u2018cordeiros-antes-de-sua-reforma_tanoarquivo-1-1024x683.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-495\" srcset=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Ao-fundo-a-Estacao-de-\u2018cordeiros-antes-de-sua-reforma_tanoarquivo-1-1024x683.png 1024w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Ao-fundo-a-Estacao-de-\u2018cordeiros-antes-de-sua-reforma_tanoarquivo-1-300x200.png 300w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Ao-fundo-a-Estacao-de-\u2018cordeiros-antes-de-sua-reforma_tanoarquivo-1-768x512.png 768w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Ao-fundo-a-Estacao-de-\u2018cordeiros-antes-de-sua-reforma_tanoarquivo-1.png 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Reprodu\u00e7\u00e3o por IA com base na foto original.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>A linha que pretendia seguir o rio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A ideia inicial era clara: construir uma linha que seguisse em dire\u00e7\u00e3o ao Rio Mogi Gua\u00e7u, passando pela Vila de Nossa Senhora do Patroc\u00ednio das Araras, pelo distrito de Manoel Leme, chegando at\u00e9 a Vila de Bom Jesus dos Aflitos de Pirassununga, com a secreta esperan\u00e7a de que, no futuro, ainda pudessem estender os trilhos at\u00e9 Ribeir\u00e3o Preto.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 foi considerado como linha tronco da Companhia Paulista, sendo uma linha de muito glamour e prest\u00edgio! Em 1874, com boa parte das obras da constru\u00e7\u00e3o da linha entre Campinas e Rio Claro j\u00e1 bem adiantadas, em fevereiro deste mesmo ano, a Companhia Paulista deu in\u00edcio aos estudos de sua futura linha que pretendia seguir em dire\u00e7\u00e3o ao Rio Mogi Gua\u00e7u.<\/p>\n\n\n\n<p>O local onde seria designado para o &#8220;desvio&#8221; do futuro ramal estava em algum ponto entre Limeira e uma pequena Vila conhecida como &#8220;Cordeiros&#8221; (atual Cordeir\u00f3polis). Passaria pela Vila de Nossa Senhora do Patroc\u00ednio das Araras, pelo distrito de Manoel Leme, e chegaria at\u00e9 a Vila de Bom Jesus dos Aflitos de Pirassununga, com a inten\u00e7\u00e3o de estender seus trilhos at\u00e9 Ribeir\u00e3o Preto.<\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente projetada para a bitola de 1 metro, posteriormente foi alargada para bitola de 1,60 metro para evitar a baldea\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria na esta\u00e7\u00e3o de &#8220;Cordeiros&#8221; pela diferen\u00e7a de bitolas (bitola \u00e9 a largura do trilho). Afinal, fazer os passageiros e cargas trocarem de trem toda vez seria um transtorno log\u00edstico e comercial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cordeir\u00f3polis: A cidade que nasceu de uma curva<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Aqui come\u00e7a uma hist\u00f3ria curiosa. O local onde havia de ser designado para o &#8220;desvio&#8221; do futuro ramal seria em algum ponto entre Limeira e uma pequena Vila conhecida como &#8220;Cordeiros&#8221;. Foi cogitado tamb\u00e9m de se fazer o ponto inicial desta linha nas proximidades da Fazenda de Ibicaba, onde d\u00e9cadas mais tarde foi fundada a esta\u00e7\u00e3o Ibicaba. Mas por conta de estudos topogr\u00e1ficos e terrenos invi\u00e1veis de se implantar uma ferrovia, o local escolhido foi a curva do KM 117, em Cordeiros!<\/p>\n\n\n\n<p>Creio que na \u00e9poca houve bastante coment\u00e1rios sobre a nova esta\u00e7\u00e3o que levaria o mesmo nome do pequeno vilarejo, por ser uma \u00e1rea literalmente &#8220;deserta&#8221;! Mas a Companhia Paulista tinha seus motivos t\u00e9cnicos: era ali que a topografia permitia o desvio necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>O local onde havia de ser designado para o &#8220;desvio&#8221; do futuro ramal, seria em algum ponto entre Limeira e uma pequena Vila conhecida como &#8220;Cordeiros&#8221; (atual Cordeir\u00f3polis)! Foi cogitado tamb\u00e9m, de se fazer o ponto inicial desta linha nas proximidades da fazenda de Ibicaba, onde d\u00e9cadas mais tarde foi fundada a esta\u00e7\u00e3o Ibicaba! Mas por conta de estudos topogr\u00e1ficos e terrenos invi\u00e1veis de se implantar uma ferrovia, o local escolhido foi a curva do KM117, em Cordeiros!<\/p>\n\n\n\n<p>E assim, uma pequena vila ganhou import\u00e2ncia estrat\u00e9gica. O nome &#8220;Cordeiros&#8221; era simples e buc\u00f3lico, mas com o tempo e a import\u00e2ncia crescente da esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria, o vilarejo se transformou. Sua denomina\u00e7\u00e3o mudou-se para Cordeir\u00f3polis em 1948, ocorrendo a emancipa\u00e7\u00e3o da cidade em 24 de dezembro de 1948. De &#8220;curva no meio do nada&#8221; a cidade pr\u00f3spera, tudo gra\u00e7as aos trilhos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"218\" src=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/cordeiropolis1900.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-496\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto original em 1914.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>As obras: um esfor\u00e7o herc\u00faleo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As obras do &#8220;Ramal do Mogi Gua\u00e7u&#8221; tiveram in\u00edcio no dia 18 de fevereiro de 1876. Neste mesmo ano foi entregue a esta\u00e7\u00e3o de Cordeiros! A constru\u00e7\u00e3o de ferrovias em terreno paulista n\u00e3o era tarefa para os fracos. Estamos falando de uma regi\u00e3o de serras, vales, rios, terrenos inst\u00e1veis. N\u00e3o era simplesmente colocar trilhos no ch\u00e3o, era necess\u00e1rio cortar morros, aterrar vales, construir pontes, calcular rampas que as locomotivas conseguissem vencer.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o seu primeiro trecho sendo aberto ao tr\u00e1fego no dia 10 de abril de 1877, chegando \u00e0 Vila de Nossa Senhora do Patroc\u00ednio das Araras, com 18 quil\u00f4metros de extens\u00e3o! A viagem inaugural foi feita na locomotiva n\u00famero #1 &#8220;Baronesa&#8221;, nome dado em homenagem a esposa do bar\u00e3o, dona Maria Joaquina. Quatro carros de passageiros percorreram o trecho de 14km, ocorrendo a viagem inaugural.<\/p>\n\n\n\n<p>Meses mais tarde, em outubro de 1877, a linha chegava ao distrito de Manoel Leme. At\u00e9 ent\u00e3o, eram todas esta\u00e7\u00f5es provis\u00f3rias, sendo abertas como pequenos barrac\u00f5es de madeira com uma curta plataforma tamb\u00e9m em madeira! No decorrer dos anos algumas foram sendo reformadas, e outras sendo at\u00e9 reconstru\u00eddas em alvenaria!<\/p>\n\n\n\n<p>E finalmente, ap\u00f3s quase dois anos, no dia 15 de janeiro de 1880, \u00e9 aberto ao tr\u00e1fego o trecho entre a Villa de Bom Jesus dos Aflitos de Pirassununga e Porto Ferreira, inaugurando suas esta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A inten\u00e7\u00e3o da Companhia Paulista era chegar at\u00e9 as terras de Ribeir\u00e3o Preto, por\u00e9m tal concess\u00e3o n\u00e3o foi dada! E sim entregue a Companhia Mogyana de Estradas de Ferro. Vindo-se impedida de prosseguir com seus trilhos at\u00e9 Ribeir\u00e3o Preto, a Paulista se v\u00ea em um &#8220;beco sem sa\u00edda&#8221;, chegando a discutir uma poss\u00edvel desativa\u00e7\u00e3o desta linha, pois como sua inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi atendida, ficaria a d\u00favida no ar &#8220;valeu a pena tanto esfor\u00e7o&#8221;?<\/p>\n\n\n\n<p>Mas da\u00ed surgiu uma &#8220;luz no fim do t\u00fanel&#8221;: levar seus trilhos at\u00e9 a Villa de Bethlem do Descalvado, um grande polo cafeeiro, de terras f\u00e9rteis e de riquezas. Tendo o t\u00e9rmino da linha nessa mesma Villa. Sendo aberto esse trecho em 7 de novembro de 1881.<\/p>\n\n\n\n<p>Da\u00ed ent\u00e3o, podemos dizer que surgiu a sua famosa denomina\u00e7\u00e3o de <strong>O Ramal de Descalvado!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O hino que celebrava a gl\u00f3ria dos trilhos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 1968, no centen\u00e1rio da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, foi composto um hino que at\u00e9 hoje emociona aqueles que conhecem sua letra. Era uma \u00e9poca em que as ferrovias eram motivo de orgulho nacional, s\u00edmbolo de progresso, modernidade e futuro promissor.<\/p>\n\n\n\n<p>O hino dizia:<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>&#8220;Tu \u00e9s a filha amada de Campinas, esbelta, forte e majestosa! Teus leitos lembram sempre, os bravos bandeirantes! De um valor desbravador, que na pujan\u00e7a do dever, porvir e harmonia, ligou S\u00e3o Paulo aos rinc\u00f5es!<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>\u00c9s centen\u00e1ria, pelos teus feitos varonis, de nossos e outros, de outras terras de ent\u00e3o, que te recorda at\u00e9 aqui! Juramos, pois, fidelidade, de continuar nossa miss\u00e3o, para entregar-te aos nossos filhos, como todo orgulho e devo\u00e7\u00e3o!<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Teus longos trilhos, levam felicidade, esperan\u00e7a e ardor! As maravilhas dos campos e das flores, o semblante e o amor! E nessa etapa feliz de nossos dias, de luta e labor, daremos sois fieis a ti! A confian\u00e7a, a grandeza do brasil!&#8221;<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Aquele hino n\u00e3o era apenas uma celebra\u00e7\u00e3o de uma empresa ferrovi\u00e1ria. Era a celebra\u00e7\u00e3o de uma era inteira, de um tempo em que acredit\u00e1vamos que os trilhos levariam &#8220;felicidade, esperan\u00e7a e ardor&#8221; para todos os rinc\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Era a \u00e9poca em que a Companhia Paulista de Estradas de Ferro representava muito mais que uma empresa de transporte: era s\u00edmbolo de engenharia, efici\u00eancia, progresso. Suas esta\u00e7\u00f5es eram constru\u00eddas com capricho, suas locomotivas eram as mais modernas, seus funcion\u00e1rios eram treinados com rigor. A &#8220;Paulista&#8221; era motivo de orgulho.<\/p>\n\n\n\n<p>E o Ramal de Descalvado, apesar de ter quase n\u00e3o sa\u00eddo do papel, era parte fundamental dessa hist\u00f3ria gloriosa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Cabecalho-3-1024x683.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-497\" srcset=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Cabecalho-3-1024x683.png 1024w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Cabecalho-3-300x200.png 300w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Cabecalho-3-768x512.png 768w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Cabecalho-3.png 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Anos antes, em 1880: chegando a Porto Ferreira<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Voltemos um pouco no tempo. Os trilhos da Companhia Paulista chegaram ao pequeno povoado de Bethlem do Descalvado (Bel\u00e9m) no ano de 1881, sendo a linha aberta ao tr\u00e1fego em 7 de novembro!<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a hist\u00f3ria de Porto Ferreira merece destaque especial. Tanto a cidade quanto a esta\u00e7\u00e3o levaram o nome PORTO FERREIRA, pois no princ\u00edpio da chegada da ferrovia, tratava-se de uma pequena vila no qual dependia do transporte de balsa pelo rio Mogi Gua\u00e7u.<\/p>\n\n\n\n<p>Contando com uma balsa que ligava as duas extremidades do rio, tendo como propriet\u00e1rio Jo\u00e3o Ferreira. Por isso o nome de Porto Ferreira ou como era chamada em seus tempos \u00e1ureos de &#8220;Porto do Ferreira&#8221;! Anos mais tarde, com a constru\u00e7\u00e3o da ponte met\u00e1lica do ramal de Santa Rita que realizava a travessia do rio, o transporte de balsas teve seu fim!<\/p>\n\n\n\n<p>A esta\u00e7\u00e3o inicialmente, como todas as outras, foi constru\u00edda em pequeno porte servindo como esta\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria, tendo ocorrido sua demoli\u00e7\u00e3o no ano de 1913, no qual a partir de ent\u00e3o, teve sua constru\u00e7\u00e3o definitiva, sobrevivendo at\u00e9 os dias de hoje!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A epopeia que valeu a pena<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, mais de 140 anos depois daquela primeira p\u00e1 de terra movida em fevereiro de 1876, olhamos para tr\u00e1s e percebemos a magnitude daquela obra.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o estamos falando apenas de trilhos e locomotivas. Estamos falando de um esfor\u00e7o herc\u00faleo em terreno montanhoso, de engenheiros que trabalharam com instrumentos rudimentares se comparados aos de hoje, de trabalhadores que literalmente moldaram a paisagem com suas pr\u00f3prias m\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>Estamos falando de cidades inteiras que nasceram ou se transformaram por causa daqueles trilhos: Cordeir\u00f3polis, Remanso, Araras, Loreto, Elhiu Root (antiga Guabirobas), S\u00e3o Bento, Leme, Souza Queiroz, Pirassununga, Laranja Azeda, Porto Ferreira, Buti\u00e1, e finalmente Descalvado.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada esta\u00e7\u00e3o representava esperan\u00e7a. Cada apito de locomotiva anunciava progresso. Cada saco de caf\u00e9 embarcado nos vag\u00f5es significava prosperidade para fazendeiros, comerciantes, trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>E tudo isso quase n\u00e3o aconteceu. O ramal quase n\u00e3o saiu do papel por causa de disputas pol\u00edticas, desafios t\u00e9cnicos e d\u00favidas sobre sua viabilidade econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas saiu. E como saiu! Durante d\u00e9cadas, o Ramal de Descalvado foi uma das joias da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Suas esta\u00e7\u00f5es eram bem cuidadas, suas locomotivas eram modernas, seus hor\u00e1rios eram pontuais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Reflex\u00e3o final: O legado dos desbravadores<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando lemos o hino da Companhia Paulista que celebrava &#8220;os bravos bandeirantes&#8221; e &#8220;o valor desbravador&#8221;, n\u00e3o podemos deixar de pensar nos verdadeiros desbravadores: aqueles homens que, munidos de p\u00e1s, picaretas e uma f\u00e9 inabal\u00e1vel no progresso, constru\u00edram quil\u00f4metro ap\u00f3s quil\u00f4metro de trilhos em terreno hostil.<\/p>\n\n\n\n<p>Construir ferrovias no interior paulista do s\u00e9culo XIX era um desafio que hoje mal conseguimos dimensionar. N\u00e3o havia maquin\u00e1rio pesado como temos hoje. N\u00e3o havia GPS para calcular trajetos. N\u00e3o havia computadores para simular a resist\u00eancia de pontes e aterros. Era conhecimento emp\u00edrico, for\u00e7a bra\u00e7al, e uma dose generosa de coragem.<\/p>\n\n\n\n<p>E o resultado? Cidades inteiras que devem sua exist\u00eancia ou ao menos sua configura\u00e7\u00e3o atual \u00e0queles trilhos. Fam\u00edlias que prosperaram. Hist\u00f3rias que foram vividas. Mem\u00f3rias que resistem ao tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>O Ramal de Descalvado quase n\u00e3o saiu do papel. Mas quando saiu, mudou tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, muitos dos trilhos foram arrancados. Algumas esta\u00e7\u00f5es viraram centros culturais, outras foram demolidas, outras simplesmente apodrecem abandonadas. Mas a mem\u00f3ria permanece. E com ela, o reconhecimento de que houve uma \u00e9poca em que acredit\u00e1vamos que os trilhos levariam &#8220;felicidade, esperan\u00e7a e ardor&#8221; para todos os rinc\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez n\u00e3o tenha sido exatamente assim. Mas por algumas d\u00e9cadas gloriosas, foi bonito acreditar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cr\u00e9ditos:<\/strong> <em>Texto baseado no livro de \u00c2ngelo Rafael sobre o Ramal de Descalvado da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Pesquisa hist\u00f3rica, levantamento documental e compila\u00e7\u00e3o de relatos por \u00c2ngelo Rafael, com colabora\u00e7\u00e3o de Anderson Alves dos Santos (Kovero), Leandro Guidini e demais preservadores da mem\u00f3ria ferrovi\u00e1ria do interior paulista.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea sabia que a esta\u00e7\u00e3o de Cordeir\u00f3polis nasceu de uma \u201ccurva no meio do nada\u201d?<br \/>\nVeja tamb\u00e9m: como uma derrota pol\u00edtica se transformou na maior vit\u00f3ria da Companhia Paulista.<br \/>\nH\u00e1 hist\u00f3rias que come\u00e7am com um sonho audacioso e terminam em gl\u00f3ria. Outras come\u00e7am com um sonho audacioso e quase morrem no meio do caminho. 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