{"id":463,"date":"2025-10-21T18:01:23","date_gmt":"2025-10-21T21:01:23","guid":{"rendered":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/?p=463"},"modified":"2025-10-21T18:01:24","modified_gmt":"2025-10-21T21:01:24","slug":"quando-santa-gertrudes-parava-para-ver-o-santa-gertrudes-f-c-jogar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/2025\/10\/21\/quando-santa-gertrudes-parava-para-ver-o-santa-gertrudes-f-c-jogar\/","title":{"rendered":"Quando Santa Gertrudes parava para ver o Santa Gertrudes F.C. jogar"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>T\u00e1 no Arquivo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Com informa\u00e7\u00f5es do historiador esportivo Jos\u00e9 Antonio Milani, o Gancho<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Poucos sabem, mas Santa Gertrudes j\u00e1 teve um time de futebol que fazia a cidade parar. O Santa Gertrudes F.C. n\u00e3o era apenas um clube, &nbsp;era o cora\u00e7\u00e3o pulsante de uma comunidade que crescia ao redor da esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria, no que ent\u00e3o se chamava Distrito da Paz de Santa Gertrudes.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/futebol_santa_tanoarquivo-1024x683.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-464\" srcset=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/futebol_santa_tanoarquivo-1024x683.png 1024w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/futebol_santa_tanoarquivo-300x200.png 300w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/futebol_santa_tanoarquivo-768x512.png 768w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/futebol_santa_tanoarquivo.png 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto d\u00e9cada de 30<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>O nascimento de uma paix\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo relata o historiador esportivo Jos\u00e9 Antonio Milani, conhecido carinhosamente como &#8220;o Gancho&#8221;, tudo come\u00e7ou na d\u00e9cada de 1930. Um grupo de moradores apaixonados pelo futebol, liderados por Santo Negro, resolveu montar uma equipe. O campo foi constru\u00eddo entre a esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria e a estrada velha, hoje conhecida como Rodovia Constante Peruchi.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Era um vilarejo crescendo ao redor da esta\u00e7\u00e3o&#8221;, conta Gancho. &#8220;E o futebol chegou junto com o desenvolvimento da regi\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1934: O retrato de uma era dourada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A fotografia de 1\u00ba de janeiro de 1934 \u00e9 um dos documentos mais preciosos da hist\u00f3ria esportiva local. Nela, vemos os jogadores do Santa Gertrudes F.C. com suas camisas listradas, s\u00e9rios e orgulhosos. Entre os atletas daquela \u00e9poca memor\u00e1vel estavam Alfredo Carandina, Claro Miranda, Armando Carandina, Z\u00e9 Neves, Tufi, Henrique Heques, Joane Sella, Paulino Vaspinto, Sidiney Toppa, Basti\u00e3o F\u00e9rias, Luizinho Grall, Henrique Pagnocca e Nen\u00ea Pagnocca.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/futebol1934_santa_tanoarquivo-1024x683.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-465\" srcset=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/futebol1934_santa_tanoarquivo-1024x683.png 1024w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/futebol1934_santa_tanoarquivo-300x200.png 300w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/futebol1934_santa_tanoarquivo-768x512.png 768w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/futebol1934_santa_tanoarquivo.png 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto da equipe de 1934<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Gancho teve acesso a esse material hist\u00f3rico gra\u00e7as \u00e0 generosidade de tr\u00eas ex-craques: Alfredo Carandina, Antonio Vitte e Edi Valdanha, que abriram seus lares e mostraram acervos de fotos que preservam aqueles tempos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A rivalidade que incendiava a cidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O grande rival era o E.C. Flamengo. Os jogos entre os dois times paralisavam Santa Gertrudes. O Clube do Inaugu, como tamb\u00e9m era conhecido o advers\u00e1rio, foi inaugurado em 1934 e manteve suas atividades at\u00e9 1955.<\/p>\n\n\n\n<p>No elenco do Santa Gertrudes, al\u00e9m dos j\u00e1 citados, brilhavam nomes como Santim Giacomine, Ciro Rocha, Michel Lemos, Antonio Filler, Luiz Paraluppa, Antonio Doimo, Fernando Beraldo e Alcides Soave, que comandava o time como t\u00e9cnico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Bicampeonato que entrou para a hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O auge veio em 1952 e 1953, quando o Santa Gertrudes conquistou o bicampeonato Varzeano. A conquista marcou \u00e9poca e encheu de orgulho toda a comunidade. Um dos jogos mais lembrados foi a vit\u00f3ria sobre a Vila Maria de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/futebol1952_santa_tanoarquivo-1024x683.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-466\" srcset=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/futebol1952_santa_tanoarquivo-1024x683.png 1024w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/futebol1952_santa_tanoarquivo-300x200.png 300w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/futebol1952_santa_tanoarquivo-768x512.png 768w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/futebol1952_santa_tanoarquivo.png 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Bi campe\u00e3o amador em 1953<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Gancho guarda uma hist\u00f3ria curiosa sobre a final de 1953: &#8220;O Edi n\u00e3o participou do antipen\u00faltimo jogo porque cortou o dedo. Como j\u00e1 eram considerados bi-campe\u00f5es, foram jogar apenas para cumprir tabela. No lugar dele, veio o Luiz Portugues, do Palmeiras.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O est\u00e1dio de telhas e outras curiosidades<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Onde hoje funciona o Auto Posto Santa Gertrudes, ficava o campo do time. Uma peculiaridade chamava aten\u00e7\u00e3o: o muro era feito de telhas cedidas pelos ceramistas da regi\u00e3o. &#8220;Tinha um risco consider\u00e1vel&#8221;, relembra Gancho com bom humor. &#8220;Se sa\u00edsse alguma briga, era &#8216;telhada\u00e7o&#8217; por todos os lados.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O time tinha suas madrinhas, que se vestiam de branco e levavam flores para os craques quando sa\u00edam vitoriosos. As ta\u00e7as de campeonatos eram doadas, sendo as mais marcantes as oferecidas por Maximiliano Martins e pela Panificadora Paulista.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Francesco e o milagre da virada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma das hist\u00f3rias mais incr\u00edveis narradas por Gancho envolve o jogador Francesco, que havia treinado no Velo Clube e no Yp\u00ea Palmeiras antes de chegar ao Santa Gertrudes. Em uma partida contra o Ferraz, considerado o pior time do campeonato, o Santa Gertrudes perdia de 3 a 0 no primeiro tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Francesco entrou para guardar a meta no segundo tempo, mesmo com o dedo da m\u00e3o quebrado. O resultado? Vit\u00f3ria de 4 a 3 na virada, em um jogo que entrou para o folclore local.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"494\" src=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/flamula_santa_tanoarquivo-1024x494.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-468\" srcset=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/flamula_santa_tanoarquivo-1024x494.jpg 1024w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/flamula_santa_tanoarquivo-300x145.jpg 300w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/flamula_santa_tanoarquivo-768x371.jpg 768w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/flamula_santa_tanoarquivo-1536x741.jpg 1536w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/flamula_santa_tanoarquivo.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>O contrato mais inusitado do futebol santagertrudense<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O historiador Gancho registra um caso peculiar envolvendo o jogador Edi. Seu primeiro contrato foi fechado em troca de uma \u00e9gua chamada Libuna, propriedade de Atilio Pascon. &#8220;Edi queria compr\u00e1-la para fazer trabalhos extras, al\u00e9m de usar nas horas de folga da Central El\u00e9trica&#8221;, explica Gancho.<\/p>\n\n\n\n<p>O time pagava 200 mil r\u00e9is na \u00e9poca e a \u00e1gua custava 150 mil r\u00e9is. &#8220;Fui contratado por uma \u00e9gua&#8221;, dizia Edi com orgulho dessa hist\u00f3ria inusitada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A uni\u00e3o que derrubaria cadeias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma passagem que demonstra a for\u00e7a da uni\u00e3o entre jogadores e torcedores aconteceu em Corumbata\u00ed. O Getulinho foi preso ap\u00f3s um jogo, e a torcida &nbsp;que havia acompanhado o time em um \u00f4nibus e cinco caminh\u00f5es, n\u00e3o aceitou. Foram at\u00e9 a cadeia exigir sua soltura com um ultimato: &#8220;Ou o soltavam ou derrubavam tudo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A press\u00e3o funcionou, e Getulinho foi liberado. Para Gancho, esse epis\u00f3dio simboliza perfeitamente o esp\u00edrito daquele tempo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Antonio Rosa: O mestre<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Imposs\u00edvel falar da hist\u00f3ria do futebol em Santa Gertrudes sem mencionar Antonio Rosa. Vindo de Minas Gerais, ele residiu na Cer\u00e2mica Retiro entre 1945 e 1950. Calmo, educado e gentil, Rosa foi treinador do Santa Gertrudes F.C. e formou uma legi\u00e3o de amigos na cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Sabia como cativar os craques da \u00e9poca: Jaques, Edy, Coc\u00e3o, Jacozinho, Baninho, entre outros tantos&#8221;, recorda Gancho. &#8220;Com ele, nossa cidade viveu uma das suas melhores \u00e9pocas em termos de futebol, bom futebol mesmo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O historiador enfatiza: &#8220;Antonio Rosa, j\u00e1 falecido, merece ser um nome que a cidade guardou.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As pioneiras do futebol feminino<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>D\u00e9cadas antes do futebol feminino se popularizar no Brasil, Santa Gertrudes j\u00e1 tinha algo revolucion\u00e1rio: uma torcida uniformizada feminina. Na d\u00e9cada de 1950, mulheres como Cacilda Bononi, Nair Sabione, Alice Taioque, Ceci Richa, Nilva Giacomini, Efig\u00eania Rosa, Marina Lenci, Iolanda Silva e Cida Lenci quebravam barreiras.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/madrinhasfutebol_santa_tanoarquivo-1024x683.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-467\" srcset=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/madrinhasfutebol_santa_tanoarquivo-1024x683.png 1024w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/madrinhasfutebol_santa_tanoarquivo-300x200.png 300w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/madrinhasfutebol_santa_tanoarquivo-768x512.png 768w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/madrinhasfutebol_santa_tanoarquivo.png 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Torcida feminina uniformizada na d\u00e9cada de 50<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;A participa\u00e7\u00e3o das mulheres nas atividades consideradas masculinas j\u00e1 era o in\u00edcio de sua emancipa\u00e7\u00e3o&#8221;, analisa Gancho, destacando o pioneirismo dessas mulheres que desafiaram os padr\u00f5es da \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os craques que fizeram hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Entre os nomes que brilharam nos campos de Santa Gertrudes, Gancho destaca: Jacques Ribeir\u00e3o, Edi Valdanha, Eduardo Martins, M\u00e1rio dos Santos, Rovail Doimo, Alfredo Carandina, Pedrinho Pascon, Toninho Vitte, Dega, Nelson Pascon, Antonio (Tol\u00e9) Giovani, Chico Buoro, Orlando Giovani, Augusto Buoro, Alcides (do Conde), Armando Carandina e Marino (do Conde).<\/p>\n\n\n\n<p>De outras regi\u00f5es vieram refor\u00e7os de peso: Reginato, Valdomar, Jord\u00e3o, Gernignani, Milton Jorge, Jo\u00e3ozinho, Daniel, Ber\u00e1, Laerte, Jord\u00e3o, Maniero, Oscarzinho, Crioulo, Luiz e Almeida, Moreno, Indai\u00e1, Archimedes e Cl\u00e1udio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O legado que permanece<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 Antonio Milani, o Gancho, dedicou anos de pesquisa para preservar essa hist\u00f3ria. Conversou com ex-jogadores, reuniu fotografias, documentou relatos. Seu trabalho como historiador esportivo garantiu que as mem\u00f3rias do Santa Gertrudes F.C. n\u00e3o se perdessem no tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, poucos conhecem essa hist\u00f3ria. O campo virou posto de gasolina, os jogadores se foram, mas o legado permanece nos arquivos cuidadosamente preservados e nas mem\u00f3rias daqueles que viveram ou ouviram falar dessa \u00e9poca de ouro.<\/p>\n\n\n\n<p>Santa Gertrudes teve seu momento de gl\u00f3ria no futebol. E gra\u00e7as ao trabalho de Gancho, essa hist\u00f3ria n\u00e3o ser\u00e1 esquecida.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Esta \u00e9 uma mat\u00e9ria do projeto T\u00e1 no Arquivo, que resgata hist\u00f3rias esquecidas atrav\u00e9s de documentos hist\u00f3ricos e relatos de pesquisadores locais.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>T\u00e1 no Arquivo Com informa\u00e7\u00f5es do historiador esportivo Jos\u00e9 Antonio Milani, o Gancho Poucos sabem, mas Santa Gertrudes j\u00e1 teve um time de futebol que fazia a cidade parar. O Santa Gertrudes F.C. n\u00e3o era apenas um clube, &nbsp;era o cora\u00e7\u00e3o pulsante de uma comunidade que crescia ao redor da esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria, no que ent\u00e3o se chamava Distrito da Paz de Santa Gertrudes. O nascimento de uma paix\u00e3o Segundo relata o historiador esportivo Jos\u00e9 Antonio Milani, conhecido carinhosamente como &#8220;o Gancho&#8221;, tudo come\u00e7ou na d\u00e9cada de 1930. Um grupo de moradores apaixonados pelo futebol, liderados por Santo Negro, resolveu montar uma equipe. O campo foi constru\u00eddo entre a esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria e a estrada velha, hoje conhecida como Rodovia Constante Peruchi. &#8220;Era um vilarejo crescendo ao redor da esta\u00e7\u00e3o&#8221;, conta Gancho. &#8220;E o futebol chegou junto com o desenvolvimento da regi\u00e3o.&#8221; 1934: O retrato de uma era dourada A fotografia de 1\u00ba de janeiro de 1934 \u00e9 um dos documentos mais preciosos da hist\u00f3ria esportiva local. Nela, vemos os jogadores do Santa Gertrudes F.C. com suas camisas listradas, s\u00e9rios e orgulhosos. Entre os atletas daquela \u00e9poca memor\u00e1vel estavam Alfredo Carandina, Claro Miranda, Armando Carandina, Z\u00e9 Neves, Tufi, Henrique Heques, Joane Sella, Paulino Vaspinto, Sidiney Toppa, Basti\u00e3o F\u00e9rias, Luizinho Grall, Henrique Pagnocca e Nen\u00ea Pagnocca. Gancho teve acesso a esse material hist\u00f3rico gra\u00e7as \u00e0 generosidade de tr\u00eas ex-craques: Alfredo Carandina, Antonio Vitte e Edi Valdanha, que abriram seus lares e mostraram acervos de fotos que preservam aqueles tempos. A rivalidade que incendiava a cidade O grande rival era o E.C. Flamengo. Os jogos entre os dois times paralisavam Santa Gertrudes. O Clube do Inaugu, como tamb\u00e9m era conhecido o advers\u00e1rio, foi inaugurado em 1934 e manteve suas atividades at\u00e9 1955. No elenco do Santa Gertrudes, al\u00e9m dos j\u00e1 citados, brilhavam nomes como Santim Giacomine, Ciro Rocha, Michel Lemos, Antonio Filler, Luiz Paraluppa, Antonio Doimo, Fernando Beraldo e Alcides Soave, que comandava o time como t\u00e9cnico. O Bicampeonato que entrou para a hist\u00f3ria O auge veio em 1952 e 1953, quando o Santa Gertrudes conquistou o bicampeonato Varzeano. A conquista marcou \u00e9poca e encheu de orgulho toda a comunidade. Um dos jogos mais lembrados foi a vit\u00f3ria sobre a Vila Maria de S\u00e3o Paulo. Gancho guarda uma hist\u00f3ria curiosa sobre a final de 1953: &#8220;O Edi n\u00e3o participou do antipen\u00faltimo jogo porque cortou o dedo. Como j\u00e1 eram considerados bi-campe\u00f5es, foram jogar apenas para cumprir tabela. No lugar dele, veio o Luiz Portugues, do Palmeiras.&#8221; O est\u00e1dio de telhas e outras curiosidades Onde hoje funciona o Auto Posto Santa Gertrudes, ficava o campo do time. Uma peculiaridade chamava aten\u00e7\u00e3o: o muro era feito de telhas cedidas pelos ceramistas da regi\u00e3o. &#8220;Tinha um risco consider\u00e1vel&#8221;, relembra Gancho com bom humor. &#8220;Se sa\u00edsse alguma briga, era &#8216;telhada\u00e7o&#8217; por todos os lados.&#8221; O time tinha suas madrinhas, que se vestiam de branco e levavam flores para os craques quando sa\u00edam vitoriosos. As ta\u00e7as de campeonatos eram doadas, sendo as mais marcantes as oferecidas por Maximiliano Martins e pela Panificadora Paulista. Francesco e o milagre da virada Uma das hist\u00f3rias mais incr\u00edveis narradas por Gancho envolve o jogador Francesco, que havia treinado no Velo Clube e no Yp\u00ea Palmeiras antes de chegar ao Santa Gertrudes. Em uma partida contra o Ferraz, considerado o pior time do campeonato, o Santa Gertrudes perdia de 3 a 0 no primeiro tempo. Francesco entrou para guardar a meta no segundo tempo, mesmo com o dedo da m\u00e3o quebrado. O resultado? Vit\u00f3ria de 4 a 3 na virada, em um jogo que entrou para o folclore local. O contrato mais inusitado do futebol santagertrudense O historiador Gancho registra um caso peculiar envolvendo o jogador Edi. Seu primeiro contrato foi fechado em troca de uma \u00e9gua chamada Libuna, propriedade de Atilio Pascon. &#8220;Edi queria compr\u00e1-la para fazer trabalhos extras, al\u00e9m de usar nas horas de folga da Central El\u00e9trica&#8221;, explica Gancho. O time pagava 200 mil r\u00e9is na \u00e9poca e a \u00e1gua custava 150 mil r\u00e9is. &#8220;Fui contratado por uma \u00e9gua&#8221;, dizia Edi com orgulho dessa hist\u00f3ria inusitada. A uni\u00e3o que derrubaria cadeias Uma passagem que demonstra a for\u00e7a da uni\u00e3o entre jogadores e torcedores aconteceu em Corumbata\u00ed. O Getulinho foi preso ap\u00f3s um jogo, e a torcida &nbsp;que havia acompanhado o time em um \u00f4nibus e cinco caminh\u00f5es, n\u00e3o aceitou. Foram at\u00e9 a cadeia exigir sua soltura com um ultimato: &#8220;Ou o soltavam ou derrubavam tudo.&#8221; A press\u00e3o funcionou, e Getulinho foi liberado. Para Gancho, esse epis\u00f3dio simboliza perfeitamente o esp\u00edrito daquele tempo. Antonio Rosa: O mestre Imposs\u00edvel falar da hist\u00f3ria do futebol em Santa Gertrudes sem mencionar Antonio Rosa. Vindo de Minas Gerais, ele residiu na Cer\u00e2mica Retiro entre 1945 e 1950. Calmo, educado e gentil, Rosa foi treinador do Santa Gertrudes F.C. e formou uma legi\u00e3o de amigos na cidade. &#8220;Sabia como cativar os craques da \u00e9poca: Jaques, Edy, Coc\u00e3o, Jacozinho, Baninho, entre outros tantos&#8221;, recorda Gancho. &#8220;Com ele, nossa cidade viveu uma das suas melhores \u00e9pocas em termos de futebol, bom futebol mesmo.&#8221; O historiador enfatiza: &#8220;Antonio Rosa, j\u00e1 falecido, merece ser um nome que a cidade guardou.&#8221; As pioneiras do futebol feminino D\u00e9cadas antes do futebol feminino se popularizar no Brasil, Santa Gertrudes j\u00e1 tinha algo revolucion\u00e1rio: uma torcida uniformizada feminina. Na d\u00e9cada de 1950, mulheres como Cacilda Bononi, Nair Sabione, Alice Taioque, Ceci Richa, Nilva Giacomini, Efig\u00eania Rosa, Marina Lenci, Iolanda Silva e Cida Lenci quebravam barreiras. &#8220;A participa\u00e7\u00e3o das mulheres nas atividades consideradas masculinas j\u00e1 era o in\u00edcio de sua emancipa\u00e7\u00e3o&#8221;, analisa Gancho, destacando o pioneirismo dessas mulheres que desafiaram os padr\u00f5es da \u00e9poca. Os craques que fizeram hist\u00f3ria Entre os nomes que brilharam nos campos de Santa Gertrudes, Gancho destaca: Jacques Ribeir\u00e3o, Edi Valdanha, Eduardo Martins, M\u00e1rio dos Santos, Rovail Doimo, Alfredo Carandina, Pedrinho Pascon, Toninho Vitte, Dega, Nelson Pascon, Antonio (Tol\u00e9) Giovani, Chico Buoro, Orlando Giovani, Augusto Buoro, Alcides (do Conde), Armando Carandina e Marino (do Conde). De outras regi\u00f5es vieram refor\u00e7os de peso: Reginato, Valdomar, Jord\u00e3o, Gernignani, Milton Jorge, Jo\u00e3ozinho, Daniel, Ber\u00e1,<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":464,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-463","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/463","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=463"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/463\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":470,"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/463\/revisions\/470"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/464"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=463"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=463"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=463"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}