{"id":359,"date":"2025-09-19T14:45:20","date_gmt":"2025-09-19T17:45:20","guid":{"rendered":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/?p=359"},"modified":"2025-09-19T14:45:21","modified_gmt":"2025-09-19T17:45:21","slug":"fogos-no-ceu-e-cerveja-na-mesa-a-historia-pouco-contada-sobre-as-industrias-de-cordeiropolis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/2025\/09\/19\/fogos-no-ceu-e-cerveja-na-mesa-a-historia-pouco-contada-sobre-as-industrias-de-cordeiropolis\/","title":{"rendered":"Fogos no c\u00e9u e cerveja na mesa: a hist\u00f3ria pouco contada sobre as ind\u00fastrias de Cordeir\u00f3polis"},"content":{"rendered":"\n<p>Voc\u00ea sabia que Cordeir\u00f3polis j\u00e1 teve f\u00e1brica de fogos de artif\u00edcio e at\u00e9 de cerveja? Veja essa reportagem no T\u00e1 No Arquivo<\/p>\n\n\n\n<p>Em janeiro de 2008, o <em>Jornal Expresso<\/em> (hoje <em>Martello News<\/em>) trouxe \u00e0 tona mem\u00f3rias valiosas guardadas por cordeiropolenses que testemunharam a transforma\u00e7\u00e3o da cidade. Entre eles, os irm\u00e3os <strong>Antonio Reinaldo Meneghin e Nice Meneghin<\/strong>, al\u00e9m do empres\u00e1rio <strong>Teleforo Sanches<\/strong> &nbsp;todos j\u00e1 in memoriam. Seus relatos s\u00e3o um convite a revisitar um tempo em que Cordeir\u00f3polis, ainda chamada de \u201cCordeiro\u201d, dava os primeiros passos rumo ao desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"738\" src=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Sem-Titulo-810-1024x738.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-360\" srcset=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Sem-Titulo-810-1024x738.jpg 1024w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Sem-Titulo-810-300x216.jpg 300w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Sem-Titulo-810-768x554.jpg 768w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Sem-Titulo-810-1536x1107.jpg 1536w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Sem-Titulo-810-2048x1477.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Vista a\u00e9rea da cidade em 1960<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Essas lembran\u00e7as foram reunidas na s\u00e9rie <strong>\u201cRetratos do Passado\u201d<\/strong>, e hoje o <em>T\u00e1 no Arquivo<\/em> traz novamente \u00e0 vida essas hist\u00f3rias que misturam suor, f\u00e9, ind\u00fastria e tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;As ra\u00edzes da cidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cordeir\u00f3polis nasceu oficialmente em <strong>24 de dezembro de 1948<\/strong>, com a emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-administrativa reconhecida pela Lei Estadual n\u00ba 233. Mas sua hist\u00f3ria j\u00e1 se desenhava muito antes. Documentos de <strong>1822<\/strong> registram colonizadores ligados \u00e0 Fazenda Ibicaba, do senador Vergueiro, ocupando a regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para <strong>Antonio Reinaldo Meneghin<\/strong>, por\u00e9m, a origem era ainda mais antiga. Ele recordava que seu av\u00f4 contava sobre a passagem de <strong>bandeirantes<\/strong>, que montaram uma <strong>f\u00e1brica de cordas<\/strong> no local onde hoje fica a Avenida Wilson Di\u00f3rio. \u201cHavia at\u00e9 uma roda d\u2019\u00e1gua para enrolar os fios\u201d, dizia sorrindo, em 2008, quando contou suas mem\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-medium\"><img decoding=\"async\" width=\"225\" height=\"300\" src=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Sr-225x300.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-363\" srcset=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Sr-225x300.jpg 225w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Sr-768x1024.jpg 768w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Sr-1152x1536.jpg 1152w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Sr-1536x2048.jpg 1536w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Sr.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Senhor Meneghin no ano de 2008<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-medium\"><img decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"225\" src=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/NICE-300x225.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-364\" srcset=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/NICE-300x225.jpg 300w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/NICE-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/NICE-768x576.jpg 768w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/NICE-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/NICE-2048x1536.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Nice Meneghin e sua irm\u00e3 no dia da reportagem em 2008 (ambas j\u00e1 falecidas)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>A f\u00e1brica de cerveja e os com\u00e9rcios do passado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pouca gente sabe, mas em <strong>1890 Cordeir\u00f3polis teve uma f\u00e1brica de cerveja<\/strong>. Localizada na rua Carlos Gomes, funcionava at\u00e9 a esquina da Toledo Barros. J\u00e1 em 1940, surgia a primeira cooperativa de consumo, que depois daria origem ao Supermercado Guardia, oferecendo produtos mais acess\u00edveis aos moradores.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-medium\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"230\" src=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Sem-Titulo-284-1-300x230.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-366\" srcset=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Sem-Titulo-284-1-300x230.jpg 300w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Sem-Titulo-284-1-768x588.jpg 768w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Sem-Titulo-284-1.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;Os fogos que iluminavam o c\u00e9u<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em <strong>1918<\/strong>, nada menos que <strong>quatro f\u00e1bricas de fogos de artif\u00edcio<\/strong> funcionavam na cidade. A produ\u00e7\u00e3o animava festas religiosas e populares at\u00e9 o in\u00edcio dos anos 40, quando come\u00e7aram a encerrar atividades. Uma delas ficava onde hoje est\u00e1 a Escola Jamil Abrah\u00e3o Saad, outra na rua Jos\u00e9 Moreira e mais duas nas ruas Guilherme Krauter e Ramenzoni.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;Seda e tecelagens: a for\u00e7a feminina no trabalho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos anos 20 e 30, a cria\u00e7\u00e3o do <strong>bicho-da-seda<\/strong> transformou a paisagem da cidade. Grandes planta\u00e7\u00f5es de amoreiras alimentavam os casulos, e barrac\u00f5es se espalhavam pela atual Avenida Presidente Vargas. A m\u00e3o de obra era, em grande parte, feminina: as jovens cuidavam das folhas, que precisavam estar verdes e secas para alimentar os bichinhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Da sericicultura nasceu a <strong>primeira f\u00e1brica de tecelagem em 1938<\/strong>, a <em>Fios de Seda Ltda<\/em>. Nos anos seguintes, surgiram outras: <strong>Tor\u00e7\u00e3o Cordeiro, Sedatex e Tor\u00e7\u00e3o Sanches<\/strong>, de Teleforo Sanches. Durante a Segunda Guerra, a produ\u00e7\u00e3o de fios de seda era vital para fabricar <strong>paraquedas<\/strong>, o que trouxe auge econ\u00f4mico para a cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssa ind\u00fastria trouxe muito emprego para as mulheres. Eram mais de 250 trabalhando em tr\u00eas turnos\u201d, recordava dona Nice Meneghin em 2008.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;Cer\u00e2micas e \u00f3leos de laranja<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O setor cer\u00e2mico tamb\u00e9m marcou \u00e9poca. A primeira f\u00e1brica de telhas surgiu em <strong>1935<\/strong>, fundada por Manoel Beraldo, pai de Luiz Beraldo (prefeito nos anos 60). Depois vieram a <strong>Cer\u00e2mica Carmelo Fior<\/strong> e a <strong>Cer\u00e2mica Floresta<\/strong>, no bairro de Cascalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ramo em alta foi o de <strong>\u00f3leo de laranja<\/strong>, que chegou a ter tr\u00eas f\u00e1bricas em funcionamento na d\u00e9cada de 40. Humberto Levy, Jamil Abrah\u00e3o Saad e outros empres\u00e1rios transformaram a fruta em riqueza industrial, movimentando a economia local.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;Papel, refrescos e novas frentes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na d\u00e9cada de 40, Cordeir\u00f3polis tamb\u00e9m ganhou a <strong>F\u00e1brica de Papel\u00e3o Gabriel Saad<\/strong>. Depois, nos anos 50, a <strong>Papirus<\/strong> e, mais tarde, a <strong>Ind\u00fastrias de Papel R. Ramenzoni<\/strong> consolidaram o setor, mesmo ap\u00f3s inc\u00eandios e crises.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"757\" src=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/INCENDIO-01-1024x757.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-368\" srcset=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/INCENDIO-01-1024x757.jpg 1024w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/INCENDIO-01-300x222.jpg 300w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/INCENDIO-01-768x568.jpg 768w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/INCENDIO-01-1536x1135.jpg 1536w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/INCENDIO-01-2048x1514.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Entre 1952 e 1962, a cidade tamb\u00e9m teve uma <strong>ind\u00fastria de refrescos<\/strong>, de Miguel Rodrigues de Oliveira, que produzia groselha e eram engarrafados em pequenas \u201cca\u00e7ulinhas\u201d. A bebida chegava a Goi\u00e1s e ao rec\u00e9m-criado Distrito Federal.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Mario-Oliveira-trabalhou-com-seu-pai-Miguel-na-fabrica-de-refresco-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-367\" srcset=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Mario-Oliveira-trabalhou-com-seu-pai-Miguel-na-fabrica-de-refresco-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Mario-Oliveira-trabalhou-com-seu-pai-Miguel-na-fabrica-de-refresco-300x225.jpg 300w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Mario-Oliveira-trabalhou-com-seu-pai-Miguel-na-fabrica-de-refresco-768x576.jpg 768w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Mario-Oliveira-trabalhou-com-seu-pai-Miguel-na-fabrica-de-refresco-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Mario-Oliveira-trabalhou-com-seu-pai-Miguel-na-fabrica-de-refresco-2048x1536.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">M\u00e1rio Oliveira trabalhou com seu pai Miguel na f\u00e1brica de refresco (foto tirada no ano de 2008)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Patrim\u00f4nio e constru\u00e7\u00e3o civil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A <strong>Construtora Caci<\/strong>, de 1947, ergueu muitas casas que ainda permanecem de p\u00e9, testemunhas de um tempo de expans\u00e3o urbana. J\u00e1 o <strong>Casar\u00e3o Fratini<\/strong>, constru\u00eddo no s\u00e9culo XIX, quase se perdeu em ru\u00ednas, mas foi restaurado pelo empres\u00e1rio Victor Levy. Hoje, abriga reuni\u00f5es e ainda guarda o charme da arquitetura antiga.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O fio que liga passado e presente<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As mem\u00f3rias de Meneghin, Nice e Teleforo n\u00e3o s\u00e3o apenas lembran\u00e7as pessoais. Elas foram testemunhos de como Cordeir\u00f3polis se reinventou ao longo do s\u00e9culo XX: das cordas aos fogos, da seda ao papel, das cer\u00e2micas aos refrescos. S\u00e3o hist\u00f3rias que mostram uma cidade que cresceu com criatividade, trabalho e coragem. Hist\u00f3rias que n\u00e3o podem ser esquecidas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"653\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/reportagem2008_tanoarquiv_001-653x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-369\" srcset=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/reportagem2008_tanoarquiv_001-653x1024.jpg 653w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/reportagem2008_tanoarquiv_001-191x300.jpg 191w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/reportagem2008_tanoarquiv_001-768x1205.jpg 768w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/reportagem2008_tanoarquiv_001-979x1536.jpg 979w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/reportagem2008_tanoarquiv_001-1305x2048.jpg 1305w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/reportagem2008_tanoarquiv_001.jpg 1506w\" sizes=\"(max-width: 653px) 100vw, 653px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"653\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/reportagem2008_tanoarquivo_002-653x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-370\" srcset=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/reportagem2008_tanoarquivo_002-653x1024.jpg 653w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/reportagem2008_tanoarquivo_002-191x300.jpg 191w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/reportagem2008_tanoarquivo_002-768x1205.jpg 768w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/reportagem2008_tanoarquivo_002-979x1536.jpg 979w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/reportagem2008_tanoarquivo_002-1305x2048.jpg 1305w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/reportagem2008_tanoarquivo_002.jpg 1506w\" sizes=\"(max-width: 653px) 100vw, 653px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">P\u00e1ginas do jornal em 2008<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea sabia que Cordeir\u00f3polis j\u00e1 teve f\u00e1brica de fogos de artif\u00edcio e at\u00e9 de cerveja? Veja essa reportagem no T\u00e1 No Arquivo Em janeiro de 2008, o Jornal Expresso (hoje Martello News) trouxe \u00e0 tona mem\u00f3rias valiosas guardadas por cordeiropolenses que testemunharam a transforma\u00e7\u00e3o da cidade. Entre eles, os irm\u00e3os Antonio Reinaldo Meneghin e Nice Meneghin, al\u00e9m do empres\u00e1rio Teleforo Sanches &nbsp;todos j\u00e1 in memoriam. Seus relatos s\u00e3o um convite a revisitar um tempo em que Cordeir\u00f3polis, ainda chamada de \u201cCordeiro\u201d, dava os primeiros passos rumo ao desenvolvimento. Essas lembran\u00e7as foram reunidas na s\u00e9rie \u201cRetratos do Passado\u201d, e hoje o T\u00e1 no Arquivo traz novamente \u00e0 vida essas hist\u00f3rias que misturam suor, f\u00e9, ind\u00fastria e tradi\u00e7\u00e3o. &nbsp;As ra\u00edzes da cidade Cordeir\u00f3polis nasceu oficialmente em 24 de dezembro de 1948, com a emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-administrativa reconhecida pela Lei Estadual n\u00ba 233. Mas sua hist\u00f3ria j\u00e1 se desenhava muito antes. Documentos de 1822 registram colonizadores ligados \u00e0 Fazenda Ibicaba, do senador Vergueiro, ocupando a regi\u00e3o. Para Antonio Reinaldo Meneghin, por\u00e9m, a origem era ainda mais antiga. Ele recordava que seu av\u00f4 contava sobre a passagem de bandeirantes, que montaram uma f\u00e1brica de cordas no local onde hoje fica a Avenida Wilson Di\u00f3rio. \u201cHavia at\u00e9 uma roda d\u2019\u00e1gua para enrolar os fios\u201d, dizia sorrindo, em 2008, quando contou suas mem\u00f3rias. A f\u00e1brica de cerveja e os com\u00e9rcios do passado Pouca gente sabe, mas em 1890 Cordeir\u00f3polis teve uma f\u00e1brica de cerveja. Localizada na rua Carlos Gomes, funcionava at\u00e9 a esquina da Toledo Barros. J\u00e1 em 1940, surgia a primeira cooperativa de consumo, que depois daria origem ao Supermercado Guardia, oferecendo produtos mais acess\u00edveis aos moradores. &nbsp;Os fogos que iluminavam o c\u00e9u Em 1918, nada menos que quatro f\u00e1bricas de fogos de artif\u00edcio funcionavam na cidade. A produ\u00e7\u00e3o animava festas religiosas e populares at\u00e9 o in\u00edcio dos anos 40, quando come\u00e7aram a encerrar atividades. Uma delas ficava onde hoje est\u00e1 a Escola Jamil Abrah\u00e3o Saad, outra na rua Jos\u00e9 Moreira e mais duas nas ruas Guilherme Krauter e Ramenzoni. &nbsp;Seda e tecelagens: a for\u00e7a feminina no trabalho Nos anos 20 e 30, a cria\u00e7\u00e3o do bicho-da-seda transformou a paisagem da cidade. Grandes planta\u00e7\u00f5es de amoreiras alimentavam os casulos, e barrac\u00f5es se espalhavam pela atual Avenida Presidente Vargas. A m\u00e3o de obra era, em grande parte, feminina: as jovens cuidavam das folhas, que precisavam estar verdes e secas para alimentar os bichinhos. Da sericicultura nasceu a primeira f\u00e1brica de tecelagem em 1938, a Fios de Seda Ltda. Nos anos seguintes, surgiram outras: Tor\u00e7\u00e3o Cordeiro, Sedatex e Tor\u00e7\u00e3o Sanches, de Teleforo Sanches. Durante a Segunda Guerra, a produ\u00e7\u00e3o de fios de seda era vital para fabricar paraquedas, o que trouxe auge econ\u00f4mico para a cidade. \u201cEssa ind\u00fastria trouxe muito emprego para as mulheres. Eram mais de 250 trabalhando em tr\u00eas turnos\u201d, recordava dona Nice Meneghin em 2008. &nbsp;Cer\u00e2micas e \u00f3leos de laranja O setor cer\u00e2mico tamb\u00e9m marcou \u00e9poca. A primeira f\u00e1brica de telhas surgiu em 1935, fundada por Manoel Beraldo, pai de Luiz Beraldo (prefeito nos anos 60). Depois vieram a Cer\u00e2mica Carmelo Fior e a Cer\u00e2mica Floresta, no bairro de Cascalho. Outro ramo em alta foi o de \u00f3leo de laranja, que chegou a ter tr\u00eas f\u00e1bricas em funcionamento na d\u00e9cada de 40. Humberto Levy, Jamil Abrah\u00e3o Saad e outros empres\u00e1rios transformaram a fruta em riqueza industrial, movimentando a economia local. &nbsp;Papel, refrescos e novas frentes Na d\u00e9cada de 40, Cordeir\u00f3polis tamb\u00e9m ganhou a F\u00e1brica de Papel\u00e3o Gabriel Saad. Depois, nos anos 50, a Papirus e, mais tarde, a Ind\u00fastrias de Papel R. Ramenzoni consolidaram o setor, mesmo ap\u00f3s inc\u00eandios e crises. Entre 1952 e 1962, a cidade tamb\u00e9m teve uma ind\u00fastria de refrescos, de Miguel Rodrigues de Oliveira, que produzia groselha e eram engarrafados em pequenas \u201cca\u00e7ulinhas\u201d. A bebida chegava a Goi\u00e1s e ao rec\u00e9m-criado Distrito Federal. Patrim\u00f4nio e constru\u00e7\u00e3o civil A Construtora Caci, de 1947, ergueu muitas casas que ainda permanecem de p\u00e9, testemunhas de um tempo de expans\u00e3o urbana. J\u00e1 o Casar\u00e3o Fratini, constru\u00eddo no s\u00e9culo XIX, quase se perdeu em ru\u00ednas, mas foi restaurado pelo empres\u00e1rio Victor Levy. Hoje, abriga reuni\u00f5es e ainda guarda o charme da arquitetura antiga. O fio que liga passado e presente As mem\u00f3rias de Meneghin, Nice e Teleforo n\u00e3o s\u00e3o apenas lembran\u00e7as pessoais. Elas foram testemunhos de como Cordeir\u00f3polis se reinventou ao longo do s\u00e9culo XX: das cordas aos fogos, da seda ao papel, das cer\u00e2micas aos refrescos. S\u00e3o hist\u00f3rias que mostram uma cidade que cresceu com criatividade, trabalho e coragem. Hist\u00f3rias que n\u00e3o podem ser esquecidas.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":361,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[5,40],"class_list":["post-359","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia","tag-cordeiropolis","tag-fabricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/359","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=359"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/359\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":372,"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/359\/revisions\/372"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/361"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=359"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=359"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=359"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}