{"id":286,"date":"2025-09-06T15:53:36","date_gmt":"2025-09-06T15:53:36","guid":{"rendered":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/?p=222"},"modified":"2025-09-06T15:53:36","modified_gmt":"2025-09-06T15:53:36","slug":"cordeiropolis-nos-anos-40-o-teatro-o-cinema-e-a-musica-ja-encantavam-a-cidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/2025\/09\/06\/cordeiropolis-nos-anos-40-o-teatro-o-cinema-e-a-musica-ja-encantavam-a-cidade\/","title":{"rendered":"Cordeir\u00f3polis nos anos 40:  o teatro, o cinema e a m\u00fasica j\u00e1 encantavam a cidade"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>O cen\u00e1rio da cidade nos anos 30 e 40<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cordeir\u00f3polis, ainda chamada de <strong>\u201cCordeiro\u201d<\/strong>, era um <strong>munic\u00edpio pequeno<\/strong>, com apenas tr\u00eas ruas principais e pavimenta\u00e7\u00e3o em paralelep\u00edpedo. O giro financeiro vinha basicamente do com\u00e9rcio, j\u00e1 que o restante da popula\u00e7\u00e3o vivia em col\u00f4nias espalhadas pelas <strong>grandes fazendas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-image uagb-block-7098fde8 wp-block-uagb-image--layout-default wp-block-uagb-image--effect-static wp-block-uagb-image--align-none\"><figure class=\"wp-block-uagb-image__figure\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Cordeiropolis-nos-anos-40-o-teatro-o-cinema-e-a-musica-ja-encantavam-a-cidade_tanoarquivo-2-1-1024x683.png ,https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Cordeiropolis-nos-anos-40-o-teatro-o-cinema-e-a-musica-ja-encantavam-a-cidade_tanoarquivo-2-1.png 780w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Cordeiropolis-nos-anos-40-o-teatro-o-cinema-e-a-musica-ja-encantavam-a-cidade_tanoarquivo-2-1.png 360w\" sizes=\"auto, (max-width: 480px) 150px\" src=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Cordeiropolis-nos-anos-40-o-teatro-o-cinema-e-a-musica-ja-encantavam-a-cidade_tanoarquivo-2-1-1024x683.png\" alt=\"\" class=\"uag-image-235\" width=\"1200\" height=\"800\" title=\"Cordeir\u00f3polis nos anos 40  o teatro, o cinema e a m\u00fasica j\u00e1 encantavam a cidade_tanoarquivo (2)\" loading=\"lazy\" role=\"img\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Segundo relatos de moradores da \u00e9poca, havia mais gente morando nas col\u00f4nias do que no centro. E no cora\u00e7\u00e3o da cidade, em cada esquina, um com\u00e9rcio mantinha a vida econ\u00f4mica ativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o que realmente fez a cidade se destacar foi a presen\u00e7a da <strong>Cia. Paulista de Estrada de Ferro<\/strong>. Suas imponentes locomotivas a vapor reuniam mais de 400 funcion\u00e1rios, transformando a pequena Cordeir\u00f3polis em um polo de movimento e progresso.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa lembran\u00e7a foi registrada em entrevista ao <em>Jornal Expresso<\/em> pelo ex-prefeito <strong>Teleforo Sanches<\/strong> (j\u00e1 falecido), que, aos 85 anos, contou que chegou a Cordeir\u00f3polis em 1927, quando seu pai abriu uma padaria na esquina das ruas Visconde do Rio Branco e Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A for\u00e7a da cultura em uma cidade pequena<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do tamanho modesto, Cordeir\u00f3polis respirava <strong>cultura, arte e lazer<\/strong>. O cinema, a m\u00fasica e principalmente o teatro movimentavam a vida social da cidade. As apresenta\u00e7\u00f5es eram feitas por amor, dedica\u00e7\u00e3o e entusiasmo \u2014 tudo improvisado e artesanal.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cen\u00e1rios, muitas vezes montados com <strong>papel\u00f5es e panos pintados \u00e0 m\u00e3o<\/strong>, levavam horas, at\u00e9 dias, para ficarem prontos. Os atores, amadores, eram tamb\u00e9m cen\u00f3grafos, iluminadores e at\u00e9 marceneiros de palco.<\/p>\n\n\n\n<p>O saudoso <strong>Jos\u00e9 Valdir Vidoretto<\/strong>, o \u201cMi\u00fado\u201d, lembrou em entrevista ao Expresso de um dos grandes momentos da \u00e9poca:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMe recordo da encena\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o de Cristo por volta de 1978. Foram sete dias inteiros preparando o cen\u00e1rio da crucifica\u00e7\u00e3o, mas a cena durou apenas seis minutos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As primeiras grandes pe\u00e7as teatrais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo depoimentos de antigos moradores, o auge do teatro local come\u00e7ou na d\u00e9cada de 1940. O pioneirismo marcou a mem\u00f3ria de muitos.<\/p>\n\n\n\n<p>O tamb\u00e9m saudoso <strong>Moacir Hespanhol<\/strong>, aos 83 anos, ( j\u00e1 falecido) contou sobre uma das primeiras montagens: <strong>\u201cBranca de Neve e os Sete An\u00f5es\u201d<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNunca me esque\u00e7o&#8230; fomos apresentar em Leme e percebemos que t\u00ednhamos esquecido a espingarda do ca\u00e7ador. Eu era o ca\u00e7ador! Tive que improvisar e disse que mataria a Branca de Neve enforcada\u201d, relembrou entre risos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O elenco que entrou para a hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na foto hist\u00f3rica de 22 de agosto de 1940, registrada em arquivo de <strong>Osvaldo Hubner<\/strong>, est\u00e3o os atores que deram vida ao conto de fadas:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Branca de Neve<\/strong>: Lourdes Massuti<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Rainha<\/strong>: Edith Minganti<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Rei<\/strong>: Jos\u00e9 Spolador<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Pr\u00edncipe<\/strong>: Edmir Soares<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Ca\u00e7ador<\/strong>: Moacir Hespanhol<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Capit\u00e3o da Guarda<\/strong>: Cesar Cipoleta<\/li>\n\n\n\n<li><strong>An\u00f5es<\/strong>:\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Feliz: Ana Romano<\/li>\n\n\n\n<li>Dunga: Nele Massuti<\/li>\n\n\n\n<li>Atchim: Edna Minganti<\/li>\n\n\n\n<li>Zangado: Therezinha Lazarotto<\/li>\n\n\n\n<li>Soneca: Ella Carandina<\/li>\n\n\n\n<li>Dengoso: Alice Marques<\/li>\n\n\n\n<li>Mestre: In\u00eas Hespanhol Hubner<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Um legado que ecoa at\u00e9 hoje<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Essas hist\u00f3rias mostram que Cordeir\u00f3polis, mesmo pequena, sempre teve uma veia cultural forte. O improviso, o talento e a paix\u00e3o pelo espet\u00e1culo constru\u00edram mem\u00f3rias que atravessaram gera\u00e7\u00f5es \u2014 e que agora est\u00e3o guardadas no <em>T\u00e1 no Arquivo<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>E voc\u00ea, j\u00e1 conhecia essa parte t\u00e3o viva da hist\u00f3ria cultural de nossa cidade?<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">*Esta reportagem foi originalmente publicada no <strong>Jornal Expresso em 2008<\/strong> e chega agora ao <em>T\u00e1 no Arquivo<\/em> com uma nova leitura, mais fiel \u00e0s mem\u00f3rias de quem viveu a \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cen\u00e1rio da cidade nos anos 30 e 40 Cordeir\u00f3polis, ainda chamada de \u201cCordeiro\u201d, era um munic\u00edpio pequeno, com apenas tr\u00eas ruas principais e pavimenta\u00e7\u00e3o em paralelep\u00edpedo. O giro financeiro vinha basicamente do com\u00e9rcio, j\u00e1 que o restante da popula\u00e7\u00e3o vivia em col\u00f4nias espalhadas pelas grandes fazendas. Segundo relatos de moradores da \u00e9poca, havia mais gente morando nas col\u00f4nias do que no centro. E no cora\u00e7\u00e3o da cidade, em cada esquina, um com\u00e9rcio mantinha a vida econ\u00f4mica ativa. Mas o que realmente fez a cidade se destacar foi a presen\u00e7a da Cia. Paulista de Estrada de Ferro. Suas imponentes locomotivas a vapor reuniam mais de 400 funcion\u00e1rios, transformando a pequena Cordeir\u00f3polis em um polo de movimento e progresso. Essa lembran\u00e7a foi registrada em entrevista ao Jornal Expresso pelo ex-prefeito Teleforo Sanches (j\u00e1 falecido), que, aos 85 anos, contou que chegou a Cordeir\u00f3polis em 1927, quando seu pai abriu uma padaria na esquina das ruas Visconde do Rio Branco e Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio. A for\u00e7a da cultura em uma cidade pequena Apesar do tamanho modesto, Cordeir\u00f3polis respirava cultura, arte e lazer. O cinema, a m\u00fasica e principalmente o teatro movimentavam a vida social da cidade. As apresenta\u00e7\u00f5es eram feitas por amor, dedica\u00e7\u00e3o e entusiasmo \u2014 tudo improvisado e artesanal. Os cen\u00e1rios, muitas vezes montados com papel\u00f5es e panos pintados \u00e0 m\u00e3o, levavam horas, at\u00e9 dias, para ficarem prontos. Os atores, amadores, eram tamb\u00e9m cen\u00f3grafos, iluminadores e at\u00e9 marceneiros de palco. O saudoso Jos\u00e9 Valdir Vidoretto, o \u201cMi\u00fado\u201d, lembrou em entrevista ao Expresso de um dos grandes momentos da \u00e9poca: \u201cMe recordo da encena\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o de Cristo por volta de 1978. Foram sete dias inteiros preparando o cen\u00e1rio da crucifica\u00e7\u00e3o, mas a cena durou apenas seis minutos.\u201d As primeiras grandes pe\u00e7as teatrais Segundo depoimentos de antigos moradores, o auge do teatro local come\u00e7ou na d\u00e9cada de 1940. O pioneirismo marcou a mem\u00f3ria de muitos. O tamb\u00e9m saudoso Moacir Hespanhol, aos 83 anos, ( j\u00e1 falecido) contou sobre uma das primeiras montagens: \u201cBranca de Neve e os Sete An\u00f5es\u201d. \u201cNunca me esque\u00e7o&#8230; fomos apresentar em Leme e percebemos que t\u00ednhamos esquecido a espingarda do ca\u00e7ador. Eu era o ca\u00e7ador! Tive que improvisar e disse que mataria a Branca de Neve enforcada\u201d, relembrou entre risos. O elenco que entrou para a hist\u00f3ria Na foto hist\u00f3rica de 22 de agosto de 1940, registrada em arquivo de Osvaldo Hubner, est\u00e3o os atores que deram vida ao conto de fadas: Um legado que ecoa at\u00e9 hoje Essas hist\u00f3rias mostram que Cordeir\u00f3polis, mesmo pequena, sempre teve uma veia cultural forte. O improviso, o talento e a paix\u00e3o pelo espet\u00e1culo constru\u00edram mem\u00f3rias que atravessaram gera\u00e7\u00f5es \u2014 e que agora est\u00e3o guardadas no T\u00e1 no Arquivo. E voc\u00ea, j\u00e1 conhecia essa parte t\u00e3o viva da hist\u00f3ria cultural de nossa cidade? *Esta reportagem foi originalmente publicada no Jornal Expresso em 2008 e chega agora ao T\u00e1 no Arquivo com uma nova leitura, mais fiel \u00e0s mem\u00f3rias de quem viveu a \u00e9poca.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":293,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[23,1],"tags":[24],"class_list":["post-286","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-historia","tag-teatro"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/286","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=286"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/286\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/293"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=286"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=286"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=286"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}