{"id":113,"date":"2025-09-05T17:35:44","date_gmt":"2025-09-05T20:35:44","guid":{"rendered":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/?page_id=113"},"modified":"2025-09-05T17:59:20","modified_gmt":"2025-09-05T20:59:20","slug":"inicio","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/","title":{"rendered":"In\u00edcio"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"113\" class=\"elementor elementor-113\" data-elementor-post-type=\"page\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-d7c2ab0 e-flex e-con-boxed wpr-particle-no wpr-jarallax-no wpr-parallax-no wpr-sticky-section-no wpr-column-slider-no wpr-equal-height-no e-con e-parent\" data-id=\"d7c2ab0\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-dfec621 elementor-hidden-tablet elementor-hidden-mobile elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"dfec621\" 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href=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/2026\/06\/11\/odecio-lucke-o-professor-que-plantou-ipes-escreveu-o-hino-e-sonhou-um-bosque-para-cordeiropolis\/\">\n\t\t\t\tOd\u00e9cio Lucke \u2014 O professor que plantou ip\u00eas, escreveu o hino e sonhou um bosque para Cordeir\u00f3polis\t\t\t<\/a>\n\t\t<\/h3>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-post__meta-data\">\n\t\t\t\t\t<span class=\"elementor-post-date\">\n\t\t\t11 de junho de 2026\t\t<\/span>\n\t\t\t\t<span class=\"elementor-post-avatar\">\n\t\t\tNenhum coment\u00e1rio\t\t<\/span>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-post__excerpt\">\n\t\t\t<p>A hist\u00f3ria de Od\u00e9cio Lucke, professor, poeta e guardi\u00e3o da natureza de Cordeir\u00f3polis H\u00e1 homens que passam pela vida deixando rastros. Od\u00e9cio Lucke deixou ra\u00edzes, literalmente. Nascido em Cordeir\u00f3polis no dia 27 de maio de 1931, ele cresceu num tempo em que ensinar era quase um chamado divino, e aprender, uma fome que nunca se apagava. Cumpriu as duas miss\u00f5es com uma dedica\u00e7\u00e3o que poucos conseguem. Mas quem foi, de verdade, o Professor Od\u00e9cio Lucke? O menino que j\u00e1 sabia o que queria Aos 12 anos, em 30 de novembro de 1943, ele conclu\u00eda o curso prim\u00e1rio na Escola Cel. Jos\u00e9 Levy, aqui mesmo em Cordeir\u00f3polis. Era apenas o come\u00e7o. Em dezembro de 1949, formou-se em Mec\u00e2nica de M\u00e1quinas no Gin\u00e1sio Industrial Estadual &#8220;Bento Quirino&#8221;, em Campinas o boletim de notas daquela \u00e9poca, amarelado pelo tempo mas ainda leg\u00edvel, com a assinatura de seu pai Em\u00edlio Lucke m\u00eas a m\u00eas, \u00e9 uma rel\u00edquia que sobreviveu a d\u00e9cadas e conta, em sil\u00eancio, de um jovem disciplinado e comprometido. Em 29 de setembro de 1952, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade lhe entregou o Certificado de Registro de Professor n\u00ba 5284. Na pequena foto preto e branco do documento, um rapaz de terno, cabelos penteados, olhar firme. Ele tinha 21 anos e j\u00e1 era professor. Estaria apto a lecionar Desenho T\u00e9cnico, Constru\u00e7\u00e3o e Montagem de M\u00e1quinas e assim o faria por quase quatro d\u00e9cadas, na Escola T\u00e9cnica Industrial Camargo, em Limeira. Uma vida inteira dentro de sala de aula Ele n\u00e3o parou de aprender nunca. Em 1971, concluiu o curso universit\u00e1rio na Universidade Moreira Moraes, em Cravinhos. Em 1973, certificou-se pelo SENAC em Rela\u00e7\u00f5es Humanas no Trabalho. Em junho de 1974, recebeu o diploma de Pedagogia pela UNAERP, de Ribeir\u00e3o Preto. Em 1986, frequ\u00eancia de 100% e aproveitamento m\u00e1ximo no curso de aprimoramento docente para professores de Mec\u00e2nica. No dia 7 de julho de 1989, o Centro de Professorado Paulista lhe conferiu o Diploma de Honra ao M\u00e9rito, pelo que a vida inteira dedicou \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Milhares de alunos. Quase quarenta anos de sala de aula. Mas havia algo al\u00e9m das f\u00f3rmulas e dos desenhos t\u00e9cnicos que movia aquele homem. O professor que plantava ip\u00eas Od\u00e9cio Lucke era apaixonado pela natureza com a mesma intensidade com que amava o ensino. Pelas ruas de Cordeir\u00f3polis, sua marca est\u00e1 em cada ip\u00ea florido foram plantados por suas m\u00e3os e pelas de quem ele convenceu a plantar junto. Amarelos, roxos, rosas: onde havia um ip\u00ea, havia uma hist\u00f3ria dele. Na Avenida Presidente Vargas, havia um corredor inteiro dessas \u00e1rvores. Os galhos se entrela\u00e7avam sobre o asfalto como um abra\u00e7o vegetal, formando um t\u00fanel de flores que encantava quem passava. Era uma das obras de que mais se orgulhava. Ent\u00e3o, nos anos 90, aquelas \u00e1rvores foram cortadas. A vi\u00fava Maria de Lourdes Zanon Lucke, com quem se casou em 9 de julho de 1955 e com quem teve tr\u00eas filhos: Vagner, Valnei e Valdmir , conta que o marido ficou transtornado. Parentes confirmam: ele n\u00e3o conseguia se conformar. O desgosto foi t\u00e3o fundo que a fam\u00edlia acredita, at\u00e9 hoje, que o corte das \u00e1rvores foi um dos fatores que precipitou seu infarto. Como se parte dele tivesse sido cortada junto. O sonho que ficou no papel Havia outro projeto que carregava no peito: transformar a famosa Mata do Jardim Cordeiro num bosque municipal, &nbsp;um lugar protegido, preservado, vivo. Em 1992, o vereador Haroldo de Jesus Menezes apresentou uma indica\u00e7\u00e3o nesse sentido, e a C\u00e2mara aprovou a Lei n\u00ba 1.726, de 6 de maio de 1992, que constitu\u00eda o Bosque Municipal e, em seu Artigo 6\u00ba, determinava: &#8220;Fica o Bosque Municipal, objeto desta Lei, denominado de &#8216;Bosque Municipal Professor Od\u00e9cio Lucke&#8217;, saudoso educador, que foi pioneiro e atuante batalhador na defesa, preserva\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o do meio ambiente em nosso Munic\u00edpio.&#8221; Era uma homenagem linda. Mas ficou no papel. O bosque nunca saiu do ch\u00e3o. A mata do Jardim Cordeiro n\u00e3o virou o santu\u00e1rio verde que ele sonhava. E Od\u00e9cio Lucke n\u00e3o viveu para ver nem o sonho realizado, nem a injusti\u00e7a corrigida. A letra que virou hino H\u00e1 outra hist\u00f3ria guardada naqueles documentos amarelados. Em algum momento de 1976 \u2014 os rascunhos a punho t\u00eam a data de 20 de agosto de 1976 , Od\u00e9cio Lucke escreveu a letra de um hino. O Hino de Cordeir\u00f3polis. A m\u00fasica ficou com a professora Dyrcea Ricci Ciarocchi. A letra, com ele. E assim permaneceu por d\u00e9cadas: guardada, esquecida nas gavetas, como tantas outras poesias que escreveu ao longo da vida, perdidas &#8220;por uma distra\u00e7\u00e3o do destino&#8221;, como registrou sua esposa. Foi somente em 20 de setembro de 2002 que a Lei Municipal n\u00ba 2.113, proposta pelo vereador Jair Aparecido Dalfr\u00e9, instituiu oficialmente o Hino do Munic\u00edpio \u2014 com m\u00fasica de Dyrcea e letra de Od\u00e9cio. O professor j\u00e1 havia partido h\u00e1 doze anos. Em 19 de mar\u00e7o de 1990, como escreveu sua vi\u00fava com delicadeza e dor: &#8220;foi o dia em que Deus privou-nos da exist\u00eancia do Prof. Od\u00e9cio aqui na Terra, e decidiu que ele continuaria sua mestria ao Seu lado.&#8221; Ele n\u00e3o soube que seu hino virou oficial. Mas Cordeir\u00f3polis canta a sua voz at\u00e9 hoje. O que fica A Escola Estadual que leva seu nome guarda mais do que um t\u00edtulo numa plaquinha. Guarda a mem\u00f3ria de um homem que acreditava que educar e preservar eram, no fundo, a mesma coisa: preparar o futuro para quem ainda vai vir. Os ip\u00eas que ainda existem pela cidade s\u00e3o suas impress\u00f5es digitais na paisagem. A lei que nomeou um bosque que nunca existiu \u00e9 uma ferida aberta e uma promessa pendente. O hino que levou 26 anos para ser reconhecido oficialmente \u00e9 a prova de que algumas vozes precisam de tempo para serem ouvidas. Od\u00e9cio Lucke dedicou toda a sua vida \u2014 n\u00e3o a maior parte dela, toda ela \u2014 ao ensino e \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da natureza. Assim registrou, em 9 de maio de 2005, a mulher que esteve ao seu lado por 35 anos: &#8220;Professor Od\u00e9cio<\/p>\n\t\t<\/div>\n\t\t\n\t\t<a class=\"elementor-post__read-more\" href=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/2026\/06\/11\/odecio-lucke-o-professor-que-plantou-ipes-escreveu-o-hino-e-sonhou-um-bosque-para-cordeiropolis\/\" aria-label=\"Leia mais sobre Od\u00e9cio Lucke \u2014 O professor que plantou ip\u00eas, escreveu o hino e sonhou um bosque para Cordeir\u00f3polis\" tabindex=\"-1\">\n\t\t\tLeia Mais \u00bb\t\t<\/a>\n\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/article>\n\t\t\t\t<article class=\"elementor-post elementor-grid-item post-751 post type-post status-publish format-standard has-post-thumbnail hentry category-historia\" role=\"listitem\">\n\t\t\t\t<a class=\"elementor-post__thumbnail__link\" href=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/2026\/05\/14\/o-professor-que-acreditava-que-educar-era-amar-o-brasil\/\" tabindex=\"-1\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-post__thumbnail\"><img decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"200\" src=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Cabecalho-43-300x200.png\" class=\"attachment-medium size-medium wp-image-757\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Cabecalho-43-300x200.png 300w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Cabecalho-43-1024x683.png 1024w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Cabecalho-43-768x512.png 768w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Cabecalho-43.png 1200w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/div>\n\t\t<\/a>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-post__text\">\n\t\t\t\t<h3 class=\"elementor-post__title\">\n\t\t\t<a href=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/2026\/05\/14\/o-professor-que-acreditava-que-educar-era-amar-o-brasil\/\">\n\t\t\t\tO professor que acreditava que educar era amar o Brasil\t\t\t<\/a>\n\t\t<\/h3>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-post__meta-data\">\n\t\t\t\t\t<span class=\"elementor-post-date\">\n\t\t\t14 de maio de 2026\t\t<\/span>\n\t\t\t\t<span class=\"elementor-post-avatar\">\n\t\t\tNenhum coment\u00e1rio\t\t<\/span>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-post__excerpt\">\n\t\t\t<p>H\u00e1 cartas que a gente n\u00e3o esquece. N\u00e3o pelo papel, nem pela caligrafia caprichada de quem aprendeu a escrever num tempo em que letra bonita era sinal de car\u00e1ter. O que fica \u00e9 o que carregam dentro. Jorge Fernandes escrevia para a filha N\u00e9lida com a mesma seriedade com que planejava suas aulas: com prop\u00f3sito, com afeto, com uma convic\u00e7\u00e3o quase teimosa de que o Brasil seria grande, desde que houvesse gente disposta a ensinar direito. Nascido em Limeira em 15 de julho de 1898, Jorge era filho de imigrantes num tempo em que o interior paulista ainda cheirava a terra rec\u00e9m-revolvida e promessa n\u00e3o cumprida. O s\u00e9culo XIX acabava, a Rep\u00fablica tinha menos de dez anos, e o Brasil tentava se descobrir na\u00e7\u00e3o. Formou-se pela Escola Normal de Pirassununga em novembro de 1916, tinha 18 anos, um diploma na m\u00e3o e uma vida inteira pela frente. Tr\u00eas anos depois, em abril de 1919, entrou pela primeira vez numa sala de aula como professor. N\u00e3o saiu mais t\u00e3o cedo. Ficou por 39 anos ensinando e dirigindo, moldando gera\u00e7\u00f5es numa escola de bairro que, como ele, tamb\u00e9m come\u00e7ou pequena e foi crescendo com o tempo, tijolo por tijolo, decreto por decreto. O bairro que queria aprender portugu\u00eas A escola era a de Cascalho, em Cordeir\u00f3polis. Para entender o que aquela escola significava, \u00e9 preciso voltar um pouco mais no tempo,at\u00e9 1893, quando um grupo de moradores do bairro, em sua maioria imigrantes italianos, pegou uma folha de papel e come\u00e7ou a assinar um abaixo-assinado destinado ao \u201cpresidente\u201d do Estado de S\u00e3o Paulo. O pedido era simples e, ao mesmo tempo, profundo: queriam uma escola que ensinasse seus filhos em portugu\u00eas. N\u00e3o em italiano. Eles tinham deixado a It\u00e1lia para fazer a Am\u00e9rica, e a Am\u00e9rica, para eles, falava portugu\u00eas. Tinham trocado de pa\u00eds, de l\u00edngua, de ch\u00e3o. Agora queriam que os filhos pertencessem de vez a essa nova terra. A resposta veio em novembro do mesmo ano: a escola funcionaria na casa da administra\u00e7\u00e3o da fazenda, que tinha c\u00f4modos suficientes para aulas de ambos os sexos e resid\u00eancia dos professores. Em 1895, a primeira turma se formou. Era o come\u00e7o de uma hist\u00f3ria que atravessaria o s\u00e9culo XX inteiro. Em 1923, a escola j\u00e1 funcionava oficialmente com 160 alunos, batizada de Escola Reunidas de Cascalho. Uma escola de interior, de bairro rural, de filhos de trabalhadores, mas que carregava dentro de si algo que vai al\u00e9m de qualquer decreto: a vontade coletiva de um povo que escolheu pertencer. Foi nesse ch\u00e3o, nessa tradi\u00e7\u00e3o, que Jorge Fernandes trabalhou. O homem que n\u00e3o sabia ser outra coisa Quando Jorge assumiu a dire\u00e7\u00e3o da Escola Estadual &#8220;Cel. Jos\u00e9 Levy&#8221;, em agosto de 1935, o Brasil vivia sob o Estado Novo de Get\u00falio Vargas. O pa\u00eds mudava, as pol\u00edticas educacionais mudavam, os ventos sopravam em dire\u00e7\u00f5es imprevis\u00edveis. Mas dentro de uma sala de aula do interior paulista, um professor continuava acreditando nas mesmas coisas de sempre: que crian\u00e7a doente n\u00e3o aprende, que professor mal-humorado prejudica a turma, e que a l\u00edngua portuguesa era a maior heran\u00e7a que se podia deixar para um filho de imigrante. Ele ficou no cargo at\u00e9 junho de 1958. Quase quatro d\u00e9cadas na mesma miss\u00e3o. Num tempo em que a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica era prec\u00e1ria, as estradas eram de terra e o acesso ao conhecimento era privil\u00e9gio, Jorge Fernandes foi dia ap\u00f3s dia &nbsp;uma presen\u00e7a constante e firme. Mas o que o arquivo guarda de mais precioso n\u00e3o s\u00e3o os decretos, nem as atas, nem as datas gravadas em pedra. S\u00e3o as palavras que ele deixou nas cartas para N\u00e9lida, tamb\u00e9m professora, como o pai, seguindo o mesmo caminho de giz e lousa. &#8220;A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 o orgulho do rico e a riqueza do pobre.&#8221; Simples assim. Sem rodeios. Uma frase que caberia hoje em qualquer debate sobre desigualdade no Brasil, dita por um homem que nasceu no fim do s\u00e9culo XIX e enxergava mais longe do que muita gente ainda enxerga. &#8220;N\u00e3o se esque\u00e7a de que o bom professor deixa fora os seus dissabores e entra na escola aflorando os l\u00e1bios um sorriso jovial.&#8221; Tinha algo de revolucion\u00e1rio nisso. Numa \u00e9poca em que o professor era figura de autoridade quase intoc\u00e1vel, distante, severa, imponente. &nbsp;Jorge Fernandes lembrava \u00e0 filha que a sala de aula era lugar de presen\u00e7a real, de gente inteira. Que o professor chegava com a vida toda nas costas, mas tinha a obriga\u00e7\u00e3o de sorrir. N\u00e3o por fingimento. Por escolha. Por amor ao que fazia. &#8220;Que culpa, por ventura, ter\u00e3o as crian\u00e7as, se o professor est\u00e1 com os nervos encrencados e o f\u00edgado em pandarecos? Nenhuma, com certeza!&#8221; Quem l\u00ea isso hoje sorri. Tem humor ali, tem humanidade. Mas tem tamb\u00e9m uma pedagogia inteira embutida nessa frase torta e genial: a crian\u00e7a n\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel pelo estado emocional do adulto. Parece \u00f3bvio. Mas em 1930, 1940, dito por um diretor de escola do interior de S\u00e3o Paulo, era quase uma declara\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios. O Brasil que ele queria construir N\u00e9lida contou que o pai ia al\u00e9m das palavras de incentivo. Nas cartas que mandava a ela, inclu\u00eda projetos de aula, cria\u00e7\u00f5es suas, pensados para despertar nos alunos o amor pela l\u00edngua portuguesa. Um homem que, nas horas vagas, continuava sendo professor. Que n\u00e3o sabia, talvez, ser outra coisa. &#8220;O Brasil precisa de gente forte para caminhar \u00e0 frente dos demais pa\u00edses.&#8221; &#8220;Fa\u00e7amos um pouco que seja em benef\u00edcio de nossos patr\u00edcios, para o bem da fam\u00edlia, da sociedade e da P\u00e1tria.&#8221; N\u00e9lida fez quest\u00e3o de deixar claro: o patriotismo do pai n\u00e3o era de fachada, n\u00e3o era discurso de palanque. Estava no fundo do cora\u00e7\u00e3o. Era o tipo de amor silencioso e persistente que n\u00e3o precisa de bandeira para se provar &nbsp;que se manifesta no detalhe, na corre\u00e7\u00e3o cuidadosa de um exerc\u00edcio, no sorriso for\u00e7ado numa segunda-feira dif\u00edcil, no projeto de aula escrito \u00e0 m\u00e3o e enviado pelo correio para a filha que ensinava em outra cidade. Jorge Fernandes acreditava que ensinar era, em si, um ato<\/p>\n\t\t<\/div>\n\t\t\n\t\t<a class=\"elementor-post__read-more\" href=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/2026\/05\/14\/o-professor-que-acreditava-que-educar-era-amar-o-brasil\/\" aria-label=\"Leia mais sobre O professor que acreditava que educar era amar o Brasil\" tabindex=\"-1\">\n\t\t\tLeia Mais \u00bb\t\t<\/a>\n\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/article>\n\t\t\t\t<article class=\"elementor-post elementor-grid-item post-743 post type-post status-publish format-standard has-post-thumbnail hentry category-historia\" role=\"listitem\">\n\t\t\t\t<a class=\"elementor-post__thumbnail__link\" href=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/2026\/04\/29\/o-maquinista-e-o-mandiocal-um-causo-inesquecivel-na-estacao-recanto\/\" tabindex=\"-1\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-post__thumbnail\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"200\" src=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/O-maquinista-e-o-mandiocal-um-Causo-inesquecivel-na-Estacao-Recanto_CAPASITE-300x200.png\" class=\"attachment-medium size-medium wp-image-744\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/O-maquinista-e-o-mandiocal-um-Causo-inesquecivel-na-Estacao-Recanto_CAPASITE-300x200.png 300w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/O-maquinista-e-o-mandiocal-um-Causo-inesquecivel-na-Estacao-Recanto_CAPASITE-1024x683.png 1024w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/O-maquinista-e-o-mandiocal-um-Causo-inesquecivel-na-Estacao-Recanto_CAPASITE-768x512.png 768w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/O-maquinista-e-o-mandiocal-um-Causo-inesquecivel-na-Estacao-Recanto_CAPASITE.png 1200w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/div>\n\t\t<\/a>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-post__text\">\n\t\t\t\t<h3 class=\"elementor-post__title\">\n\t\t\t<a href=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/2026\/04\/29\/o-maquinista-e-o-mandiocal-um-causo-inesquecivel-na-estacao-recanto\/\">\n\t\t\t\tO maquinista e o mandiocal: um &#8220;Causo&#8221; inesquec\u00edvel na Esta\u00e7\u00e3o Recanto\t\t\t<\/a>\n\t\t<\/h3>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-post__meta-data\">\n\t\t\t\t\t<span class=\"elementor-post-date\">\n\t\t\t29 de abril de 2026\t\t<\/span>\n\t\t\t\t<span class=\"elementor-post-avatar\">\n\t\t\tNenhum coment\u00e1rio\t\t<\/span>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-post__excerpt\">\n\t\t\t<p>A hist\u00f3ria das ferrovias paulistas n\u00e3o \u00e9 feita apenas de trilhos, locomotivas potentes e hor\u00e1rios r\u00edgidos. Ela \u00e9 composta, principalmente, por seres humanos e suas peculiaridades. Entre os registros oficiais de transporte de carga e passageiros, escondem-se hist\u00f3rias que o tempo n\u00e3o apagou, preservadas pela mem\u00f3ria oral dos antigos ferrovi\u00e1rios da FEPASA. Hoje, trazemos um &#8220;causo&#8221; emblem\u00e1tico ocorrido na Esta\u00e7\u00e3o Recanto, localizada entre Americana e Nova Odessa. Ela foi inaugurada em 17 de outubro de 1916; ponto de partida do hist\u00f3rico Ramal de Piracicaba. Vamos relatar uma hist\u00f3ria que mistura a calada da noite, uma planta\u00e7\u00e3o irresist\u00edvel e um erro de principiante que virou piada eterna entre os companheiros de trilhos. A Esta\u00e7\u00e3o de Recanto: um marco entre o progresso e a madeira De acordo com a pesquisa hist\u00f3rica de Ralph Giesbrecht, no site Esta\u00e7\u00f5es Ferrovi\u00e1rias do Brasil, a Esta\u00e7\u00e3o de Recanto foi inaugurada em 1916 originalmente como um posto telegr\u00e1fico. Sua fun\u00e7\u00e3o era estrat\u00e9gica: servir de apoio \u00e0 sa\u00edda do Ramal de Piracicaba, que se conectava \u00e0 linha tronco naquele ponto. Um detalhe arquitet\u00f4nico rar\u00edssimo apontado por Giesbrecht \u00e9 que a cabine de comando de Recanto seria, possivelmente, a \u00fanica de toda a Companhia Paulista constru\u00edda com partes em madeira, em vez da tradicional alvenaria. Localizada \u00e0s margens da estrada que liga Nova Odessa a Americana, a pequena esta\u00e7\u00e3o passou de um cora\u00e7\u00e3o pulsante de manobras para um estado de desola\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o abandono do ramal. Apesar de ter recebido reformas no telhado em 2005 que a rejuvenesceram temporariamente, o pr\u00e9dio sofreu descaracteriza\u00e7\u00f5es ao longo dos anos, sendo utilizado como moradia nas \u00faltimas d\u00e9cadas, restando hoje o sil\u00eancio onde antes ecoavam os apitos das locomotivas. A Noite do &#8220;Assalto&#8221; ao Mandiocal Contam os antigos que, pr\u00f3ximo \u00e0 linha f\u00e9rrea na regi\u00e3o do Recanto, existia um mandiocal que chamava a aten\u00e7\u00e3o de qualquer um que passasse. Era uma planta\u00e7\u00e3o vi\u00e7osa, bem cuidada, um verdadeiro col\u00edrio para os olhos de quem cruzava o ramal. Em uma determinada noite, um maquinista, cujo nome a \u00e9tica ferrovi\u00e1ria prefere manter em segredo, n\u00e3o resistiu. Ao parar a composi\u00e7\u00e3o na esta\u00e7\u00e3o, o sil\u00eancio da madrugada e a proximidade das ra\u00edzes falaram mais alto. Ele desceu da cabine, foi at\u00e9 a planta\u00e7\u00e3o e, com agilidade, colheu uma boa quantidade de mandiocas. Colocou o &#8220;botim&#8221; em um saco, subiu de volta na m\u00e1quina e seguiu viagem, certo de que o escuro da noite tinha sido seu \u00fanico c\u00famplice. O &#8220;RG&#8221; deixado na terra O que o maquinista n\u00e3o esperava era a per\u00edcia involunt\u00e1ria do dono da planta\u00e7\u00e3o. Na manh\u00e3 seguinte, ao encontrar a terra revirada e o preju\u00edzo, o agricultor come\u00e7ou a vistoriar o local. Em meio aos restos de rama e terra batida, algo brilhou sob o sol: um ponto branco. Ao se abaixar para recolher o objeto, o fazendeiro n\u00e3o encontrou uma raiz, mas sim o crach\u00e1 de identifica\u00e7\u00e3o oficial da FEPASA. O maquinista, na pressa de colher o jantar, havia deixado sua &#8220;assinatura&#8221; na cena do crime. O desfecho na reparti\u00e7\u00e3o em Campinas O dono das mandiocas n\u00e3o teve d\u00favidas. De posse do crach\u00e1, dirigiu-se aos escrit\u00f3rios da companhia em Campinas. A conversa com o superior foi direta: o crach\u00e1 estava l\u00e1, as mandiocas n\u00e3o. O maquinista foi chamado \u00e0 sala da chefia mais cedo do que o habitual em sua escala. O di\u00e1logo, hoje parte do folclore ferrovi\u00e1rio, teria sido curto: &nbsp;\u2014 &#8220;Foi voc\u00ea quem pegou as mandiocas l\u00e1 no Recanto?&#8221; , perguntou o chefe. \u2014 &#8220;Eu n\u00e3o sabia que tinha dono&#8230; estava perto da linha&#8230;&#8221;, disse o maquinista. O resultado? O valor das ra\u00edzes foi descontado do sal\u00e1rio e o funcion\u00e1rio ainda levou alguns dias de suspens\u00e3o (o famoso &#8220;gancho&#8221;). &#8220;Quanto t\u00e1 o quilo?&#8221; O castigo financeiro passou, mas a &#8220;zueira&#8221; dos companheiros de ferrovia foi eterna. Dizem que, por anos, sempre que dois trens se cruzavam e esse maquinista estava na outra cabine, os colegas abriam a janela e gritavam a plenos pulm\u00f5es: &nbsp;&#8220;\u2014 E a\u00ed, quanto t\u00e1 o quilo da mandioca hoje?&#8221; A resposta, geralmente, era um gesto impaciente e muitos risos que ecoavam pelos cortes e aterros da Companhia Paulista. Nota do Editor: Este relato foi adaptado das hist\u00f3rias narradas por antigos ferrovi\u00e1rios e registradas em obras &nbsp;de Angelo Rafael, que dedicam suas vidas a manter viva a chama da nossa mem\u00f3ria ferrovi\u00e1ria. Se a hist\u00f3ria \u00e9 boa, t\u00e1 no arquivo! Se voc\u00ea gosta de hist\u00f3ria ferrovi\u00e1ria, nostalgia e curiosidades do nosso interior, assista tamb\u00e9m os videos de nosso canal. Assista esse video completo: As fotos do video e site foram reproduzidos pelo site de Ralph Mennucci Giesbrecht.<\/p>\n\t\t<\/div>\n\t\t\n\t\t<a class=\"elementor-post__read-more\" href=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/2026\/04\/29\/o-maquinista-e-o-mandiocal-um-causo-inesquecivel-na-estacao-recanto\/\" aria-label=\"Leia mais sobre O maquinista e o mandiocal: um &#8220;Causo&#8221; inesquec\u00edvel na Esta\u00e7\u00e3o Recanto\" tabindex=\"-1\">\n\t\t\tLeia Mais \u00bb\t\t<\/a>\n\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/article>\n\t\t\t\t<article class=\"elementor-post elementor-grid-item post-728 post type-post status-publish format-standard has-post-thumbnail hentry category-historia\" role=\"listitem\">\n\t\t\t\t<a class=\"elementor-post__thumbnail__link\" href=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/2026\/03\/11\/quando-o-futsal-venceu-o-cinema-a-historia-emocionante-do-bossa-nova-em-santa-gertrudes\/\" tabindex=\"-1\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-post__thumbnail\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"171\" src=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/rivalidadefutsalcinemaemsantagertrudestanoarquivo-300x171.jpeg\" class=\"attachment-medium size-medium wp-image-729\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/rivalidadefutsalcinemaemsantagertrudestanoarquivo-300x171.jpeg 300w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/rivalidadefutsalcinemaemsantagertrudestanoarquivo.jpeg 758w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/div>\n\t\t<\/a>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-post__text\">\n\t\t\t\t<h3 class=\"elementor-post__title\">\n\t\t\t<a href=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/2026\/03\/11\/quando-o-futsal-venceu-o-cinema-a-historia-emocionante-do-bossa-nova-em-santa-gertrudes\/\">\n\t\t\t\tQuando o Futsal venceu o Cinema: A hist\u00f3ria emocionante do Bossa Nova em Santa Gertrudes\t\t\t<\/a>\n\t\t<\/h3>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-post__meta-data\">\n\t\t\t\t\t<span class=\"elementor-post-date\">\n\t\t\t11 de mar\u00e7o de 2026\t\t<\/span>\n\t\t\t\t<span class=\"elementor-post-avatar\">\n\t\t\tNenhum coment\u00e1rio\t\t<\/span>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-post__excerpt\">\n\t\t\t<p>Havia um tempo em Santa Gertrudes em que as noites pertenciam ao cinema. As pessoas se reuniam nas sess\u00f5es, comentavam os filmes, criavam seus rituais. Mas em 1960, algo mudou para sempre o ritmo da cidade. E n\u00e3o foi uma revolu\u00e7\u00e3o barulhenta , foi uma quadra de futsal sendo erguida tijolo por tijolo, com as m\u00e3os calejadas de quem acreditava que o esporte podia unir mais do que qualquer telona. O Dinda e o sonho de uma quadra Tudo come\u00e7ou com o Dinda, o introdutor do futebol de sal\u00e3o em Santa Gertrudes. N\u00e3o era um homem rico, n\u00e3o tinha grandes recursos. Mas tinha vis\u00e3o. Em 1960, na rua 04, esquina com a avenida 03, come\u00e7ou a ser constru\u00edda uma quadra que mudaria a hist\u00f3ria do esporte na cidade. O terreno foi doado pela fam\u00edlia Buschinelli, &nbsp;gente simples que entendia o valor de um espa\u00e7o para a juventude se encontrar. Os tijolos vieram das m\u00e3os generosas da fam\u00edlia Pascon. E quando a noite ca\u00eda e era preciso iluminar aquele sonho em constru\u00e7\u00e3o, l\u00e1 estava o sr. Armando Craveiro D&#8217;Almeida, garantindo que a luz n\u00e3o faltasse. A quadra passou a se chamar quadra do UCA &#8211; Unidos Clube Atl\u00e9tico. Hoje, quem passa por ali v\u00ea apenas uma casa. Mas as paredes ainda guardam a mem\u00f3ria dos gritos de &#8220;gol&#8221;, das disputas acirradas, do suor que molhou aquele ch\u00e3o de cimento. A guerra entre o cinema e a bola Na \u00e9poca, houve um conflito que parecia bobo, mas revelava algo muito humano: a resist\u00eancia \u00e0 mudan\u00e7a. O cinema local estava acostumado com suas sess\u00f5es lotadas, com o ritual sagrado das noites de filme. De repente, aparecia ali uma quadra, com jogos realizados \u00e0 noite, roubando a aten\u00e7\u00e3o &nbsp;e a popula\u00e7\u00e3o. As pessoas deixaram de frequentar o cinema. Preferiam o calor da torcida, a imprevisibilidade da bola quicando, a emo\u00e7\u00e3o de torcer pelos vizinhos, pelos amigos, pelos filhos. O cinema reclamou. Houve debates. Tens\u00e3o no ar. Mas sabe como \u00e9: quando o povo escolhe, n\u00e3o h\u00e1 argumento que conven\u00e7a. E o povo de Santa Gertrudes escolheu o futsal. Logo se chegou a um consenso sensato e tipicamente brasileiro: os jogos passaram a ser realizados nos dias em que n\u00e3o havia sess\u00e3o no cinema. Problema resolvido. Cinema e esporte aprenderam a dividir o mesmo c\u00e9u estrelado de Santa Gertrudes. O E.C. Bossa Nova: muito mais que um nome Este fato foi relatado por uma pessoa da \u00e9poca, algu\u00e9m que viveu aqueles dias, sentiu aquela emo\u00e7\u00e3o, viu a cidade se transformar. O time da foto \u00e9 de 1960, montado pelo italiano Italo Pagni, e se chamava E.C. Bossa Nova. Que nome! Bossa Nova. A mesma \u00e9poca em que o Brasil inteiro se rendia aos acordes de Jo\u00e3o Gilberto, Tom Jobim e Vinicius de Moraes, Santa Gertrudes tinha seu pr\u00f3prio Bossa Nova, n\u00e3o de viol\u00e3o e voz suave, mas de chuteiras, suor e garra. Os craques que fizeram hist\u00f3ria Olhamos para aquela foto de 1960 e vejo mais do que jogadores. Vejo hist\u00f3rias. Da esquerda para a direita, em p\u00e9: Faisca &#8211; que nome para um atacante! Devia ser r\u00e1pido como um raio. Chic\u00e3o Miranda &#8211; sobrenome conhecido em Santa Gertrudes, fam\u00edlia de raiz. Duca Tonon &#8211; o &#8220;Duca&#8221;, apelido carinhoso que s\u00f3 quem \u00e9 querido na cidade ganha. Italo Pagni &#8211; o italiano que montou o time, o vision\u00e1rio que transformou sonho em realidade. Zez\u00e3o Scatolin &#8211; o grandalh\u00e3o, certamente era o &#8220;pared\u00e3o&#8221; da defesa. Agachados, mais pr\u00f3ximos do ch\u00e3o, mais pr\u00f3ximos da humildade que caracterizava aqueles homens: Eca dos Santos &#8211; nome popular, gente simples, cora\u00e7\u00e3o gigante. Adilson Valvassori &#8211; sobrenome que ainda ecoa pelas ruas da cidade. Lelo Seneme &#8211; cada nome desses carrega uma fam\u00edlia, uma hist\u00f3ria, um legado. O que aquela quadra qepresentava N\u00e3o era s\u00f3 um lugar para jogar bola. Era onde os jovens se encontravam depois do trabalho na cer\u00e2mica. Era onde os pais levavam os filhos para ensinar que se ganha com humildade e se perde com dignidade. Era onde namoros come\u00e7avam, nas arquibancadas improvisadas, com a desculpa de &#8220;vim torcer pelo meu time&#8221;. A ilumina\u00e7\u00e3o do sr. Armando n\u00e3o apenas clareava a quadra, &nbsp;iluminava vidas. Os tijolos da fam\u00edlia Pascon n\u00e3o apenas sustentavam paredes &#8211; sustentavam sonhos. O terreno dos Buschinelli n\u00e3o era apenas um peda\u00e7o de ch\u00e3o, era um peda\u00e7o de futuro sendo plantado. Quando o esporte une mais que separa Aquele conflito inicial entre cinema e futsal nos ensina algo bonito: \u00e0s vezes precisamos criar espa\u00e7os para que coisas diferentes coexistam. O cinema n\u00e3o morreu. O futsal n\u00e3o foi proibido. Ambos encontraram seu lugar. E Santa Gertrudes cresceu com isso. Aprendeu que a cidade \u00e9 grande o bastante para comportar diferentes paix\u00f5es, diferentes formas de se reunir, diferentes jeitos de ser feliz. O legado que permanece Hoje, quando vemos meninos e meninas jogando futsal em Santa Gertrudes, pensemos no Dinda. Pensemos no Italo Pagni reunindo aqueles homens. Pensemos nas fam\u00edlias que doaram tijolo, terreno e luz para que um sonho se concretizasse. A quadra do UCA n\u00e3o existe mais fisicamente. Virou casa, virou passado. Mas o esp\u00edrito daquela \u00e9poca permanece cada vez que uma bola quica em qualquer quadra da cidade. O E.C. Bossa Nova pode ter ficado apenas na fotografia amarelada de 1960. Mas a bossa, a habilidade, o jeitinho, a arte de jogar bonito, &nbsp;essa continuou. Passou de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, de pai para filho, de av\u00f4 para neto. Uma homenagem necess\u00e1ria Esta hist\u00f3ria precisa ser contada. Precisa ser lembrada. Porque quando esquecemos de onde viemos, perdemos a no\u00e7\u00e3o de para onde vamos. O Dinda trouxe o futsal. As fam\u00edlias Buschinelli, Pascon e o sr. Armando Craveiro D&#8217;Almeida deram as condi\u00e7\u00f5es. O Italo Pagni montou o time. Os jogadores deram o sangue em quadra. E a popula\u00e7\u00e3o deu o mais importante: o apoio, a presen\u00e7a, o amor incondicional. Ao Faisca, ao Chic\u00e3o Miranda, ao Duca Tonon, ao Zez\u00e3o Scatolin, ao Eca dos Santos, ao Adilson Valvassori, ao Lelo Seneme, onde quer que estejam hoje, a fam\u00edlia gertrudense agradece dizendo: muito obrigado. Voc\u00eas n\u00e3o<\/p>\n\t\t<\/div>\n\t\t\n\t\t<a class=\"elementor-post__read-more\" href=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/2026\/03\/11\/quando-o-futsal-venceu-o-cinema-a-historia-emocionante-do-bossa-nova-em-santa-gertrudes\/\" aria-label=\"Leia mais sobre Quando o Futsal venceu o Cinema: A hist\u00f3ria emocionante do Bossa Nova em Santa Gertrudes\" tabindex=\"-1\">\n\t\t\tLeia Mais \u00bb\t\t<\/a>\n\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/article>\n\t\t\t\t<article class=\"elementor-post elementor-grid-item post-704 post type-post status-publish format-standard has-post-thumbnail hentry category-da-placa-ao-arquivo category-historia\" role=\"listitem\">\n\t\t\t\t<a class=\"elementor-post__thumbnail__link\" href=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/2026\/03\/06\/por-que-a-escola-leva-o-nome-de-coronel-jose-levy-a-historia-que-poucos-conhecem\/\" tabindex=\"-1\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-post__thumbnail\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"200\" src=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/celjoselevytanoarquivo-300x200.png\" class=\"attachment-medium size-medium wp-image-705\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/celjoselevytanoarquivo-300x200.png 300w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/celjoselevytanoarquivo-1024x683.png 1024w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/celjoselevytanoarquivo-768x512.png 768w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/celjoselevytanoarquivo.png 1200w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/div>\n\t\t<\/a>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-post__text\">\n\t\t\t\t<h3 class=\"elementor-post__title\">\n\t\t\t<a href=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/2026\/03\/06\/por-que-a-escola-leva-o-nome-de-coronel-jose-levy-a-historia-que-poucos-conhecem\/\">\n\t\t\t\tPor que a escola leva o nome de Coronel Jos\u00e9 Levy? A hist\u00f3ria que poucos conhecem\t\t\t<\/a>\n\t\t<\/h3>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-post__meta-data\">\n\t\t\t\t\t<span class=\"elementor-post-date\">\n\t\t\t6 de mar\u00e7o de 2026\t\t<\/span>\n\t\t\t\t<span class=\"elementor-post-avatar\">\n\t\t\tNenhum coment\u00e1rio\t\t<\/span>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-post__excerpt\">\n\t\t\t<p>Nem sempre prestamos aten\u00e7\u00e3o nos nomes que est\u00e3o nas placas das escolas, ruas ou pr\u00e9dios p\u00fablicos. Eles fazem parte do cotidiano da cidade, mas muitas vezes escondem hist\u00f3rias curiosas, personagens importantes e acontecimentos que ajudaram a formar a identidade do lugar onde vivemos. Pensando nisso, o projeto T\u00e1 no Arquivo lan\u00e7a uma nova editoria dedicada a investigar a origem desses nomes. A proposta \u00e9 simples: sair da placa e ir at\u00e9 os documentos, jornais antigos, livros e registros hist\u00f3ricos para descobrir quem foram essas pessoas e por que seus nomes ficaram gravados na mem\u00f3ria da cidade. Em cada reportagem, o leitor vai encontrar curiosidades, fatos pouco conhecidos e detalhes hist\u00f3ricos que ajudam a entender melhor a trajet\u00f3ria dessas figuras e o contexto da \u00e9poca em que viveram. Muitas vezes, por tr\u00e1s de um nome aparentemente comum, existe uma hist\u00f3ria surpreendente. E a primeira viagem ao passado come\u00e7a com uma pergunta que muitos j\u00e1 fizeram ao passar em frente ao pr\u00e9dio da escola: por que ela leva o nome de Coronel Jos\u00e9 Levy? A resposta est\u00e1 guardada em documentos, jornais antigos e registros hist\u00f3ricos que revelam uma trajet\u00f3ria que atravessa gera\u00e7\u00f5es. Este foi tamb\u00e9m o primeiro pr\u00e9dio p\u00fablico a receber um nome por lei estadual em Cordeiro Antes de virar placa, ele virou decreto.Antes do decreto, virou mem\u00f3ria coletiva. Em 14 de novembro de 1935, o Governo do Estado autorizava oficialmente que o Grupo Escolar de Cordeiro, Escolas Reunidas passasse a se chamar \u201cCoronel Jos\u00e9 Levy\u201d. N\u00e3o era apenas uma homenagem protocolar.Era um gesto pol\u00edtico, educacional e simb\u00f3lico. E talvez, muito provavelmente, o primeiro pr\u00e9dio p\u00fablico local a receber denomina\u00e7\u00e3o por meio de despacho estadual formal. A pergunta que nos move \u00e9 simples:quem foi o homem que mereceu esse gesto? &nbsp;Da Alemanha ao interior paulista Jos\u00e9 Levy nasceu em 26 de fevereiro de 1849, em Bollendorf, na regi\u00e3o da Ren\u00e2nia, Alemanha. Veio ao Brasil ainda crian\u00e7a.Sete anos de idade.Sem saber que pisaria numa terra que mudaria seu destino \u2014 e o da pr\u00f3pria regi\u00e3o. Chegou \u00e0 famosa Fazenda Ibicaba, ent\u00e3o vinculada ao Senador Nicolau Vergueiro. Ibicaba era mais que uma fazenda. Era laborat\u00f3rio de imigra\u00e7\u00e3o europeia, modelo agr\u00edcola e palco de conflitos hist\u00f3ricos envolvendo colonos. Jos\u00e9 Levy cresceu ali.Aprendeu o idioma.Aprendeu a lavoura.Aprendeu a sobreviver. Naturalizou-se brasileiro em 1885.Mas sua brasilidade come\u00e7ou muito antes disso. &nbsp;A Fazenda Ibicaba nas m\u00e3os de Levy Em dezembro de 1888, poucos meses ap\u00f3s a Aboli\u00e7\u00e3o da Escravid\u00e3o, Jos\u00e9 Levy adquiriu a Fazenda Ibicaba em hasta p\u00fablica. Valor registrado: Trezentos Contos e Cinco Mil R\u00e9is.Uma fortuna para a \u00e9poca. Ele n\u00e3o comprava apenas terras.Comprava um s\u00edmbolo do ciclo do caf\u00e9. Sob sua administra\u00e7\u00e3o, Ibicaba se tornou refer\u00eancia em produ\u00e7\u00e3o cafeeira e organiza\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Transformou-se em uma das mais florescentes lavouras do pa\u00eds no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Curiosidade pouco mencionada:Foi nesse solo que, em 1889, hospedaram-se Dom Pedro II, a Imperatriz Teresa Cristina, a Princesa Isabel e o Conde D\u2019Eu. A fazenda era rota da hist\u00f3ria nacional. Do campo ao sistema financeiro Pouco se fala, mas Levy tamb\u00e9m foi pioneiro na \u00e1rea banc\u00e1ria em Limeira. Criou casa banc\u00e1ria pr\u00f3pria e participou da funda\u00e7\u00e3o da Sociedade An\u00f4nima Levy. Em uma \u00e9poca sem bancos estruturados como conhecemos hoje, essas casas comerciais financiavam produ\u00e7\u00e3o, exporta\u00e7\u00e3o e infraestrutura. Ele n\u00e3o era apenas agricultor.Era estrategista econ\u00f4mico. Vida p\u00fablica e protagonismo local Jos\u00e9 Levy foi Juiz de Paz de Cordeiro.Participou do primeiro movimento autonomista do distrito, em 1902. Quando Cordeiro ainda era Distrito de Paz subordinado a Limeira, ele j\u00e1 atuava politicamente em defesa da organiza\u00e7\u00e3o local. Foi Capit\u00e3o da Guarda Nacional. Depois, Coronel. O t\u00edtulo militar, na \u00e9poca, era tamb\u00e9m t\u00edtulo social. Indicava influ\u00eancia e lideran\u00e7a. Na pol\u00edtica, alinhou-se ao Partido Republicano Paulista \u2014 o partido que dominou o cen\u00e1rio pol\u00edtico paulista durante a Primeira Rep\u00fablica. &nbsp;Por que uma escola recebeu seu nome? Aqui est\u00e1 um ponto essencial. Em 1935, o povo de Cordeir\u00f3polis, liderado pelo Vig\u00e1rio Padre Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio, encaminhou memorial ao Secret\u00e1rio da Educa\u00e7\u00e3o do Estado solicitando que o Grupo Escolar local recebesse o nome de Jos\u00e9 Levy. Isso revela algo importante: N\u00e3o foi uma imposi\u00e7\u00e3o de cima para baixo.Foi uma demanda da comunidade. A escola era s\u00edmbolo de futuro.Dar a ela o nome de Levy era associar educa\u00e7\u00e3o a trabalho, disciplina, empreendedorismo e progresso. O despacho estadual autorizou.E o nome entrou para o patrim\u00f4nio p\u00fablico. O homem \u00edntimo por tr\u00e1s da figura p\u00fablica Entre os documentos preservados, encontramos uma carta manuscrita ao neto C\u00e1ssio. Ali, o coronel n\u00e3o fala como autoridade.Fala como av\u00f4. A letra inclinada revela cuidado.Ele envia lembran\u00e7as \u00e0 fam\u00edlia. Demonstra afeto. Mostra que, por tr\u00e1s das decis\u00f5es pol\u00edticas e das transa\u00e7\u00f5es financeiras, havia um homem atento aos v\u00ednculos. Tamb\u00e9m h\u00e1 requerimentos formais \u00e0 C\u00e2mara Municipal de Limeira, discutindo impostos, medi\u00e7\u00f5es de terrenos nas ruas Toledo Barros, Liberdade, Visconde do Rio Branco. Esses documentos revelam outro lado: O grande propriet\u00e1rio tamb\u00e9m precisava lidar com burocracia. A repercuss\u00e3o da morte Em julho de 1935, o jornal O Limeirense publicou extensa cobertura sobre seu falecimento. Manifesta\u00e7\u00f5es de pesar vieram da Associa\u00e7\u00e3o Comercial, Sociedade Italiana, C\u00e2mara Municipal, industriais e autoridades estaduais. N\u00e3o foi apenas uma nota de rodap\u00e9.Foi manchete. Isso nos ajuda a medir o tamanho de sua influ\u00eancia regional. &nbsp;Conex\u00f5es com o desenvolvimento ferrovi\u00e1rio Entre os registros aparece documento da Companhia Estrada de Ferro de Araraquara. O interior paulista se estruturava sobre trilhos. E Levy estava inserido nesse ambiente de expans\u00e3o econ\u00f4mica. Agricultura.Com\u00e9rcio.Finan\u00e7as.Infraestrutura. Ele circulava entre todos esses setores. &nbsp;O que a placa n\u00e3o conta A placa do Grupo Escolar resume em poucas palavras uma vida que atravessou Imp\u00e9rio e Rep\u00fablica. Ela n\u00e3o conta: \u2013 Que ele foi imigrante.\u2013 Que atravessou o ciclo do caf\u00e9.\u2013 Que participou da reorganiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica local.\u2013 Que teve reconhecimento estadual formal.\u2013 Que sua trajet\u00f3ria mistura agricultura, finan\u00e7as e administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Mas o Arquivo conta. &nbsp;Por que isso importa? Porque a mem\u00f3ria urbana n\u00e3o pode ser rasa. Quando entendemos quem foi o primeiro nome oficializado por lei estadual em pr\u00e9dio p\u00fablico local, entendemos tamb\u00e9m como a cidade constru\u00eda seus s\u00edmbolos. Nomear uma escola<\/p>\n\t\t<\/div>\n\t\t\n\t\t<a class=\"elementor-post__read-more\" href=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/2026\/03\/06\/por-que-a-escola-leva-o-nome-de-coronel-jose-levy-a-historia-que-poucos-conhecem\/\" aria-label=\"Leia mais sobre Por que a escola leva o nome de Coronel Jos\u00e9 Levy? A hist\u00f3ria que poucos conhecem\" tabindex=\"-1\">\n\t\t\tLeia Mais \u00bb\t\t<\/a>\n\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/article>\n\t\t\t\t<article class=\"elementor-post elementor-grid-item post-693 post type-post status-publish format-standard has-post-thumbnail hentry category-historia\" role=\"listitem\">\n\t\t\t\t<a class=\"elementor-post__thumbnail__link\" href=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/2026\/02\/18\/o-dia-em-que-iracemapolis-nasceu-tiros-festa-povo-na-rua-e-a-coragem-de-virar-cidade\/\" tabindex=\"-1\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-post__thumbnail\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"200\" src=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/iracemapolis-300x200.png\" class=\"attachment-medium size-medium wp-image-694\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/iracemapolis-300x200.png 300w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/iracemapolis-1024x683.png 1024w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/iracemapolis-768x512.png 768w, https:\/\/tanoarquivo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/iracemapolis.png 1536w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/div>\n\t\t<\/a>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-post__text\">\n\t\t\t\t<h3 class=\"elementor-post__title\">\n\t\t\t<a href=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/2026\/02\/18\/o-dia-em-que-iracemapolis-nasceu-tiros-festa-povo-na-rua-e-a-coragem-de-virar-cidade\/\">\n\t\t\t\tO dia em que Iracem\u00e1polis nasceu: tiros, festa, povo na rua e a coragem de virar cidade\t\t\t<\/a>\n\t\t<\/h3>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-post__meta-data\">\n\t\t\t\t\t<span class=\"elementor-post-date\">\n\t\t\t18 de fevereiro de 2026\t\t<\/span>\n\t\t\t\t<span class=\"elementor-post-avatar\">\n\t\t\tNenhum coment\u00e1rio\t\t<\/span>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-post__excerpt\">\n\t\t\t<p>Voc\u00ea j\u00e1 imaginou acordar com 21 tiros anunciando o nascimento da sua pr\u00f3pria cidade?\u201dPois \u00e9\u2026 foi assim que Iracem\u00e1polis come\u00e7ou sua hist\u00f3ria como munic\u00edpio. N\u00e3o foi sil\u00eancio, n\u00e3o foi discreto, n\u00e3o foi escondido. Foi explos\u00e3o, m\u00fasica, f\u00e9, gente na rua tudo ao mesmo tempo. Era 1\u00ba de janeiro de 1955. A vila ainda carregava aquele cheiro de terra molhada misturado com expectativa. As casas eram simples, a pra\u00e7a era o ponto de encontro e quase todo mundo se conhecia pelo nome. Mas naquele dia, algo mudava para sempre.O povo acordou cedo. Alguns por alegria, outros por curiosidade, outros porque\u2026 como dormir com 21 tiros abrindo a manh\u00e3? Logo depois, veio a m\u00fasica.A Corpora\u00e7\u00e3o Musical Jo\u00e3o Guilherme tomou conta da rua com uma energia que dizia sem palavras: \u201c\u00c9 hoje. \u00c9 agora. Iracem\u00e1polis est\u00e1 nascendo.\u201dGente desceu das fazendas, moradores se juntaram na pra\u00e7a, outros se penduraram nas janelas para acompanhar o que parecia mais festa que cerim\u00f4nia. Mas era cerim\u00f4nia. E das grandes. O respons\u00e1vel por conduzir tudo era o juiz Jos\u00e9 Du\u00edlio S. Nogueira de S\u00e1, enviado diretamente para instalar oficialmente o novo munic\u00edpio. Chegou com livros enormes de atas, documentos impec\u00e1veis e uma postura s\u00e9ria que impressionava quem estava acostumado ao cotidiano simples da vila. E tinha um detalhe que deixou o momento ainda maior:A R\u00e1dio Educadora de Limeira transmitia tudo ao vivo.Sim, ao vivo.Iracem\u00e1polis pequena, rec\u00e9m-nascida, com pouco mais de 5 mil moradores, era not\u00edcia regional naquele instante. A pra\u00e7a ferveu. O povo comentava, as senhoras cochichavam, as crian\u00e7as tentavam entender por que tanta agita\u00e7\u00e3o. E quando a missa campal come\u00e7ou, o clima ficou ainda mais bonito. Era f\u00e9 pura, alinhada com o desejo coletivo de prosperidade. Depois da ben\u00e7\u00e3o, veio a parte mais esperada: a posse das autoridades.E foi ali que o nome de Jos\u00e9 Chinellato ecoou pela primeira vez como prefeito da cidade.Homem respeitado, de fala firme, assumia a miss\u00e3o de conduzir a nova Iracem\u00e1polis.Ao lado dele, Luiz Ometto, outro nome querido da comunidade, assumia como vice-prefeito. O povo vibrava.Era como se, naquele instante, cada pessoa estivesse assinando junto o nascimento da cidade. E claro\u2026 nem tudo era festa. Por tr\u00e1s da emo\u00e7\u00e3o, havia desafios enormes:As ruas eram poucas e sem cal\u00e7amento.A \u00e1gua vinha de chafarizes p\u00fablicos.O com\u00e9rcio ainda engatinhava.Havia 80 caminh\u00f5es, mas mais de 300 ve\u00edculos de tra\u00e7\u00e3o animal circulando pela cidade.A ilumina\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o chegava a todos os pontos.As escolas eram pequenas, os recursos eram limitados. Mas sabe o que sustentava tudo?A cren\u00e7a de que agora era poss\u00edvel melhorar, porque a cidade tinha dono: o pr\u00f3prio povo. Naquele 1\u00ba de janeiro de 1955, Iracem\u00e1polis n\u00e3o ganhou s\u00f3 um nome e uma ata.Ganhou identidade.Ganhou voz.Ganhou o direito de escrever sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, sem depender de decis\u00f5es de fora.E cada crian\u00e7a correndo na pra\u00e7a, cada senhor segurando seu chap\u00e9u contra o sol, cada mulher com o ter\u00e7o na m\u00e3o\u2026 todos foram, sem saber, fundadores dessa nova fase. Se voc\u00ea pudesse voltar naquele dia\u2026O que diria para aquele povo que assistia a cidade nascer diante dos pr\u00f3prios olhos? Se voc\u00ea quer conhecer mais hist\u00f3rias de Iracem\u00e1polis, veja esse artifo tamb\u00e9m: &#8220;A f\u00e9 que acendeu Iracem\u00e1polis: prociss\u00f5es, promessas e as festas que paravam a cidade&#8221;. Baseado no livro \u201cIracem\u00e1polis: Fatos e Retratos\u201d, de Jos\u00e9 Zanardo (2008).<\/p>\n\t\t<\/div>\n\t\t\n\t\t<a class=\"elementor-post__read-more\" href=\"https:\/\/tanoarquivo.com.br\/index.php\/2026\/02\/18\/o-dia-em-que-iracemapolis-nasceu-tiros-festa-povo-na-rua-e-a-coragem-de-virar-cidade\/\" aria-label=\"Leia mais sobre O dia em que Iracem\u00e1polis nasceu: tiros, festa, povo na rua e a coragem de virar cidade\" tabindex=\"-1\">\n\t\t\tLeia Mais \u00bb\t\t<\/a>\n\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/article>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-06e1f60 e-flex e-con-boxed wpr-particle-no wpr-jarallax-no wpr-parallax-no wpr-sticky-section-no wpr-column-slider-no wpr-equal-height-no e-con e-parent\" data-id=\"06e1f60\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element 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